domingo, 31 de julho de 2011

Hotel Tassi



Na abertura do livro “Hotel Tassi – O Antigo Hotel da Estação” de Elisabete Tassi Teixeira, a então diretora do Patrimônio Cultural de Curitiba, Maí Nascimento Mendonça escreve: “A cidade está no homem assim como a árvore voa no pássaro que a deixa. A síntese deste circuito vital, tão bem definida pelo poeta Ferreira Gullar, pode estar em cada rua, pedra, árvore, construção, cidade. Cada elemento destes assinalado, é claro, pelo sopro da vida.
Curitiba é uma cidade que só existe através de seus habitantes, das marcas que deixaram e que continuam imprimindo ao longo do tempo. Essa identidade entre urbe e orbe é que dá o diferencial, ou todas as cidades do mundo não passariam de amontoados de edificações. A forma pela qual a vida se processa no espaço comum é que merece, eternamente, registro.”
Mais a frente a autora do livro cita que “No espaço da antiga rua da Liberdade onde, num tempo determinado, pulsou a efervescência da vida curitibana, num continuo recriar de encontros e desencontros, proliferaram hotéis que desde a Estação Ferroviária até o centro da cidade, iam acomodando os cansados empoeirados viajantes.”
A história do Hotel Tassi começou no dia 23/10/1888, quando no porto de Gênova na Itália, com destino ao Brasil, conheceram-se a família Puglia e Angelo Tassi, que tinha como objetivo a cidade de São Paulo, mas que por acontecimentos durante a viagem (morte do patriarca dos Puglia e sua paixão pela filha mais velha deles), muda seu destino ao decidir por acompanhar a família Puglia à Curitiba. Em 01/10/1889, Angelo Tassi casa-se com Angela Puglia. Compram um terreno de esquina com as ruas da Liberdade e Sete de Setembro, defronte ao prédio da Estação Ferroviária e da futura Praça Eufrásio Correia. Nesse terreno inicialmente constroem uma casa e na frente, abrem uma pequena venda, muito freqüentada pelos viajantes e carroceiros que na região estacionavam. Dos petiscos, passam a fornecer comida e logo, pessoas passaram a pedir pouso. Em 1900 ampliam o prédio e abrem o Hotel Estrada de Ferro, muito conhecido pela comida italiana de Dona Angela. Novas reformas e ampliações depois, muda seu nome para Hotel Tassi, que se tornou na época, o cartão de visitas de Curitiba, juntamente com a Praça, sendo participante e testemunha dos acontecimentos da cidade.
Angelo e Angela tiveram sete filhos e na década de 1920 mudaram-se para sua chácara no Cabral e seus filhos passaram a administrar o hotel. Em 09/02/1933 morre Angela Tassi. Por conta da diminuição da importância da Estação Ferroviária devido às estradas de rodagem, a região da Praça Eufrásio Correia começa entrar em decadência. Em 1942 o hotel é alugado e passa a ser conhecido como Hotel Continental. Em 18/03/1951, morre Angelo Tassi com quase 90 anos. Na década de 1960 os herdeiros vendem a propriedade e o casarão encontra-se fechado desde então. Por anos permaneceu abandonado, em ruínas e depois, escorado para não entrar em colapso. Atualmente uma ação de restauro está sendo executada, como pode ser visto na foto de hoje.
Um dos filhos de Angelo e Angela, Santo Tassi, tornou-se fotógrafo (tendo inclusive uma câmara escura onde revelava suas fotos), sendo ele um dos precursores do foto-amadorismo em Curitiba. Muitas de suas belas fotos estão nesse fabuloso livro que tenho o privilégio de ter em mãos e de onde extraí as informações de hoje. Pelas páginas desse livro, não se vê apenas a história de um prédio, mas de uma família que escolheu o Brasil e Curitiba para criar seus filhos e participar da construção dessa cidade. Acertada a decisão de se preservar e restaurar o antigo Hotel Tassi, pois por muito tempo, a história de Curitiba desfilou diante de suas portas e descansou nos seus quartos.

sábado, 30 de julho de 2011

Dentro do prédio central da UFPR




A ala do prédio da Universidade Federal do Paraná na Praça Santos Andrade com entrada pela Rua XV, foi construída com recursos próprios especialmente para formação de engenheiros civis, abrigando desde 1914 até 1961 a Faculdade e depois Escola de Engenharia. Ali foram graduados 1.588 engenheiros civis.
Essa informação consta numa placa de mármore fixada na entrada do prédio, por iniciativa dos ex-alunos com apoio da Reitoria da UFPR no ano 95 da fundação da UFPR.
As fotos foram feitas no saguão de entrada e no topo da bela escada que leva ã uma sala de exposições.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pessoas comuns e incomuns de Curitiba 34


Saindo hoje da casa dos meus pais na Praça Osório, antes de entrar no carro vi essas duas senhoras caminhando pela rua, evitando a calçada (provavelmente por questões de conforto) e apoiando-se mutuamente. Mãe e filha? Irmãs? Quem sabe. Mas o certo é que são amigas e que não importa a idade, sempre precisamos de um amigo para nos apoiar. Bom final de semana para vocês!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Casas do Batel: Palacete da Família Ross


Essa residência em estilo português com sua torre quadrada na Rua Comendador Araújo - 478, pertenceu à família Ross. Posteriormente, parece ter sido sede da Seguradora Vera Cruz.
Tentei encontrar na internet mais referencias sobre a casa, a família Ross ou mesmo a seguradora, mas sem muito sucesso.
Encontrei apenas um artigo do Cid Destefani na coluna Nostalgia publicado em 01/08/2010, no qual o colunista descreve o prazer que tinha ao caminhar quando piá, pela elegante rua das mansões, observando as casas de importantes famílias de Curitiba. Numa das fotos de 1925 é possível observar o palacete da foto de hoje, com como o da Família Miró.
No dia 4/1/17 o comentário de um leitor da família disse que a casa ainda pertence à Família Ross e que a atual proprietária chama-se Arlette Correia Ross.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

51 Árvores Imunes de Corte - Araucária - Praça Tiradentes




Apesar de não parecer, a árvore imune de corte de hoje é uma Araucária (Araucaria columnaris) da Praça Tiradentes, digo apesar de não parecer pois o nome Araucária nos leva a imaginar a Araucária que todos conhecemos e que é simbolo do Paraná.
Também conhecido como Pinheiro-de-natal ou Pinheiro-alemão, é uma árvore esbelta e colunar, de até 30 m de altura, com o tronco fendido em escamas finas. Este pinheiro é nativo da Nova Caledônea na Oceania, também conhecida como a "Ilha do fim do mundo", onde os exemplares da costa litorânea, de longe assemelham-se a colunas de basalto, pela sua cor escura e forma, de onde vem o nome "columnaris" (colunar).

terça-feira, 26 de julho de 2011

Pós-modernismo?


Ontem tive que ir à um banco na Candido de Abreu, deixando minha câmera no carro. Bastou uma quadra para que as oportunidades para novas fotos fossem surgindo, mas nada que um Iphone e o Instagram não dessem um jeito.
Esses dois prédios da foto se destacam pela sua aparência futurista, contrapondo-se ao maior núcleo da arquitetura modernista em Curitiba que é o Centro Cívico. Ambos são vizinhos da Prefeitura Municipal de Curitiba na Avenida Cândido de Abreu.
Curitiba já teve na arquitetura exemplares coloniais (dessa só sobrou a casa Romário Martins), neoclássicos, ecléticos, art nouveau, art déco, modernismo. Qual seria o rótulo desses predios da foto (pós-modernismo? contemporâneo? sem rótulo?).

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pessoas comuns e incomuns de Curitiba 33


Ao redor do Passeio Público existem várias casas de estudante (CEU, CELU), além de várias repúblicas e pensionatos. Por conta disso, o Passeio Público pode ser considerado o quintal dessas casas todas e suas mesas, além de xadrez, dominó e outros jogos, pode servir para estudo, como na foto de hoje. No local onde essa garota está lendo há um módulo policial e por isso é sem dúvida um local seguro. Nada mais agradável do que uma boa leitura com o som de uma fonte e de pássaros ao fundo.

domingo, 24 de julho de 2011

Dentro do Palácio São Francisco





Projetado e construído em 1928 pelo engenheiro Eduardo Fernando Chaves para ser a residência da Família de Julio Garmatter (empresário e pecuarista), o Palácio São Francisco foi vendido ao governo do estado por solicitação do interventor Manoel Ribas (amigo de Julio Garmatter) para sediar o governo, uma vez que o Palácio da Liberdade já era pequeno para esse fim. Considerado na época ideal para ser a sede do governo por localizar-se num ponto alto e de destaque e também, por suas linhas austeras e geométricas, distanciando da então considerada excessiva ornamentação do ecletismo. Foi sede do governo estadual até 1954 (quando foi inaugurado o Palácio do Iguaçu). Foi então sede do TRE até 1987, quando restaurado foi destinado ao Museu de Arte do Paraná e em 2002 ao Museu Paranense.
Nessa minha última visita do Museu Paranaense, fui em busca do livro (fonte para o texto de hoje) "Edifícios Públicos de Curitiba - Ecletismo e Modernismo na Arquitetura Oficial" de Elizabeth Amorim de Castro e da exposição. Mais um livro excepcional para conhecer a história de Curitiba através de sua arquitetura, nesse caso, de edifícios públicos.
Para minha grata satisfação, dessa vez as fotografias internas eram permitidas (sem flash) e pude fazer alguns registros do belíssimo interior desse museu tão importante para a história do Paraná.

sábado, 23 de julho de 2011

Um ângulo insólito


No último sábado, fui caminhando pela rua XV e cheguei ao prédio da UFPR na Santos Andrade. Vi que estava aberto e (acho) pela primeira vez na minha vida, entrei para ver uma exposisão (Africanidades). Fotografei a entrada e a escadaria que é muito bonita. O vigia permitiu que eu fosse até o balcão e de lá, vi na calçada de Petit Pavè o nosso tradicional desenho paranista. Antes de fazer a foto, percebi duas pessoas com roupas coloridas e um instrumento de percussão chegando, certamente indo juntar-se ao grupo que estava divulgando o Festival de Bonecos (já postado aqui). Esperei e fiz a foto.
Olhando depois o resultado, pelo ângulo lembrou-me imediatamente dos quadros que o Rettamozzo e a sua Sociedade dos Pintores do Ângulo Insólito do Vale do Itajaí-Acú faz, que se propõe a pintar a paisagem que se vive e não a que se vê, tendo o chão como pano de fundo, a terra pintada com terra. Enfim, o Retta é uma figura!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

As flores da Rua das Flores




A Rua das Flores em Curitiba nessa  época faz juz ao apelido (já que seu nome oficial é Rua XV de Novembro), pois além das flores que a prefeitura normalmente planta nas floreiras espalhadas por todo o calçadão entre a Praça Osório e a Praça Santos Andrade, acontece a florada dessas árvores das fotos (talvez sejam cerejeiras, mas não estou certo disso) e como acontece ao mesmo tempo, a rua ganha um corredor de flores por várias quadras.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Toca Raul!!


Num desses dias indo para o trabalho pela rápida do Portão, estava ouvindo o rádio e um grupo de apresentadores de uma rádio estava sendo entrevistado. Não sei como chegaram ao assunto, mas comentaram que existem três grupos de fãs no Brasil que se deve evitar entrar em conflito: fãs do Raul Seixas, Engenheiros do Hawaii e Los Hermanos, pois esses são fãs demais! Eles comentaram que o bordão “Toca Raul!” é ainda uma constante nos shows. Quase na mesma hora, fui ultrapassado pelo Jeep da foto de hoje e lá estava a imagem de Raul Seixas. Fui atrás do Jeep para uma foto e depois, de informações sobre o "Toca Raul!".
Achei uma coluna do G1 de 2009 (20 anos depois da morte de Raul Seixas) de Lígia Nogueira e Amauri Stamboroski Jr., que tenta desvendar o mistério do “Toca Raul!”. Segue parte do texto.
“Mal eu subo no palco, um mala, um maluco já grita de lá: toca Raul! / a vontade que me dá / é de mandar o cara tomar naquele lugar / mas aí eu paro, penso e reflito / como é poderoso esse Raulzito / puxa vida, esse cara é mesmo um mito”. Retratado na canção “Toca Raul”, lançada pelo maranhense Zeca Baleiro há dois anos, o famoso grito parece perseguir músicos de todos os gêneros até hoje, 20 anos depois da morte de Raul Seixas.
Será uma tradição do público brasileiro ou uma maldição deixada como herança do roqueiro baiano? Na tentativa de descobrir a resposta, o G1 falou com alguns especialistas na obra do Maluco Beleza.
“Raul Seixas morreu ignorado, sozinho. A gente brinca que essa foi a maldição que ele deixou”, diz Tico Santa Cruz. “É melhor perguntar se existe algum show em que ninguém grite. Quando começam a pedir, a gente toca as músicas dele”, conta o vocalista do Detonautas, que tem uma banda paralela batizada de Tico Santa Cruz e o Rebu, em homenagem ao álbum de Raulzito.
“Ninguém pode afirmar com segurança de onde veio esse ‘Toca Raul’, mas que virou uma mania nacional, isso virou”, comenta Sylvio Passos, presidente do Raul Rock Club e considerado uma autoridade no assunto. “De shows com estrelas internacionais, passando por rodinhas de violão, barzinhos, casas noturnas, salão de festas... Sempre tem alguém que grita. Acho natural músicos e artistas se irritarem com isso. Outros acham graça.
O pernambucano China diz que já ouviu esse grito mais de mil vezes. Não dá para se irritar com o ‘Toca Raul!’, senão tu vai ter de parar o show a cada cinco minutos. Acho que hoje já virou um bordão, nem é coisa de fã de Raul só, tem gente que faz pela galhofa, pela brincadeira.
“Acho que antes era uma coisa séria, e depois o conceito se transformou. Quem pede pra tocar Raul no meio de um show quer algo inusitado, quer quebrar o protocolo. Com certeza isso vai passar de geração em geração, porque até os mais novos gritam”, diz Tatá Aeroplano.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Festival Espetacular de Teatro de Bonecos





Começou no último sábado (16) e vai até o dia 24, a 18ª edição do Festival Espetacular de Teatro de Bonecos, promovido pelo Teatro Guaíra. Durante nove dias, 25 grupos de várias partes do País irão movimentar a cidade, mostrando as mais diversas técnicas da arte milenar do teatro de bonecos.
Idealizado em 1992, o Festival Espetacular de Teatro de Bonecos movimenta Curitiba todos os anos, divulgando produções das mais variadas técnicas e estilos. Os objetivos do evento estão centrados na difusão dos espetáculos ao grande público, incentivando o desenvolvimento cultural, e no contato e intercâmbio entre artistas brasileiros e de outros países, visando a troca de idéias e proporcionando novos aprendizados. Para tanto, o Centro Cultural Teatro Guaíra vem trabalhando anualmente na programação do Festival, trazendo sempre grupos diferentes e privilegiando a diversidade.
A mostra reúne várias técnicas e linguagens dessa arte. Paralelamente ao Festival, acontecem debates, palestras, performances de rua e exposições interativas.
O Festival abrange todas as classes e faixas etárias. Todos os anos, aproximadamente 6 mil pessoas assistem aos espetáculos. Cerca de 30 grupos estaduais e nacionais e internacionais participam do evento (aproximadamente 150 artistas bonequeiros).
Esse pessoal divulgando o festival eu encontrei na Praça Santos Andrade no último Sábado pela manhã.
Fonte: Teatro Guaíra

terça-feira, 19 de julho de 2011

Casas de Madeira de Curitiba 30



Já havia passado centenas de vezes pela Rua Francisco Alves Guimarães no Cristo Rei (uma pequena rua que inicia no Viaduto do Capanema e termina na Padre Germano Meyer) a caminho de casa e somente nesse última vez, passando mais calmamente vi várias casas de madeira e parei para fotografar. Interessante que essa rua apesar de inserida numa área já densamente urbana de Curitiba, parece ser ainda uma rua de bairro mais afastado, com casas baixas e pequenos comércios (entremeados com academias, o Colégio Decisivo e alguns prédios mais altos). A casa que estou postando hoje, além de bonita, tem no seu quintal um estacionamento com algumas árvores. Nas árvores, o proprietário do local fixou uma grande quantidade de casinhas de passarinho e vasos, deixando o local ainda mais atrativo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Marcha das Vadias em Curitiba - pelas ruas.
















Da concentração no tubo do Passeio Público, a marcha seguiu para a Praça 19 de Dezembro onde uma das organizadoras cantou enquanto as outras meninas, no colo da Mulher Nua gritavam palavras de ordem. Dali seguiram pela Barão do Serro Azul até o obelisco encimado pela estátua da Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, onde falaram do direito à Educação. Seguiram então para o Paço da Liberdade e dali, para a estátua da Maria Lata D'água, completando os monumentos com imagens femininas. Acessaram a rua da Flores pela Monsenhor Celso, por onde seguiram caminhando até terminar num grande piquenique ao ar livre nas calçadas da Boca Maldita.
Todo esse caminho foi feito sob os olhares curiosos dos passantes. Alguns olhavam com um ar de quem nada entendia, outros riam e outros, nitidamente chocados com a ousadia das meninas. Quem tiver curiosidade, acesse o blog da fotógrafa Lina Faria e nos posts da semana anterior à marcha, encontrarão algumas fotos das organizadoras de evento sem as fantasias, vestidas como provavelmente se vestem no dia-a-dia. O que deve ser entendido é que ali elas representavam um papel e esse papel exigia uma, digamos assim, "farda". Importante é o recado: a cada 24 segundos uma mulher sofre no Brasil de algum tipo de agressão. Isso é sério, isso é grave e devemos ensinar os nossos filhos que somos todos iguais e que devemos tratar os outros como os outros gostariam de ser tratados, isso normalmente inclui respeito, empatia.

domingo, 17 de julho de 2011

Marcha das Vadias em Curitiba - Manifesto e Concentração



















O nome certamente causou/causa estranhamento em muita gente e imagino, as organizadoras do evento, devem ter passado um bom tempo explicando o nome. Nome ousado, pessoas ousadas e bons motivos para irem as ruas, ontem aconteceu uma manifestação que tempos atrás seria impensável na fria e recatada Curitiba: a Marcha das Vadias.

Através da internet (Facebook e Blog) um grupo de amigas levantou essa bandeira e conseguiu reunir na tarde de ontem, mais de 500 pessoas que percorreram um trecho que ia do Passeio Público até a Boca Maldita. Principalmente mulheres, mas também homens e crianças acompanharam a marcha, que foi tranqüila (apesar dos buzinas nos cruzamentos parados) e protegida pela policia.

Como foram muitas fotos, resolvi separar em mais de um post. Hoje postarei o manifesto e a concentração antes da marcha que aconteceu ao lado do tubo do Passeio Público.

Segue o manifesto da marcha:

O Movimento Slutwalk surgiu no Canadá, no início de 2011, e ganhou o mundo levantando a bandeira contra a culpa da mulher em casos de agressão sexual.
Em Curitiba, a organização da Marcha tem gerado calorosos debates. Muitos jovens, mães de família, políticos, têm expressado a compreensão da urgência em se realizar um ato a favor do RESPEITO. O respeito ao outro, personalizado na mulher, na criança - em todas as vítimas de agressão que todos os dias são atendidas em delegacias e hospitais. O respeito à todas as vítimas anônimas, humilhadas, abandonadas e destruídas. Infelizmente a civilidade curitibana não afastou esse fantasma e não podemos mais ser coniventes com todas as formas de desrespeito que presenciamos todos os dias.
Por isso queremos todas as bandeiras na nossa marcha!
* A bandeira da luta contra a violência sexual, a submissão, a exploração do corpo da mulher. A luta contra o conservadorismo que nos diz que, se não quisermos ser estupradas, não devemos provocar.
* A luta contra o moralismo, que nos diz que não podemos usufruir de nossa sexualidade, sensualidade e beleza. Contra o machismo que impede que a mulher seja livre e impõe que seja apenas um objeto.
* O feminismo, renovado, que acolhe as mulheres e orienta na melhor forma de exercer a feminilidade, com força, determinação e respeito.
* A cidadania, que busca a criação de políticas públicas efetivas de proteção aos direitos da mulher, que puna agressores e estupradores.
* O fim do preconceito contra os grupos LGBT, pelo respeito às diferentes formas de orientação sexual.
* A assistência às prostitutas, maiores vítimas de violência e agressão sexual, pelo reconhecimento profissional e por uma condição mais digna, sem exploração.
* O apoio às mulheres agredidas, que tenham a segurança de que o Estado irá defendê-las de seus agressores.
Acompanhamos as discussões acerca da dificuldade de ressignificar um termo tão carregado de preconceito, como VADIA, e consideramos que é urgente que todos os nomes pejorativos como puta, biscate, vagabunda, piranha, “mulher fácil” sejam reapropriados e que a discussão sobre a sexualidade feminina, e tudo o que ela representa, seja pauta política e social.
Se você também não concorda com uma sociedade que aplaude piadas sobre estupro, que segue lideranças que afirmam que, se a mulher foi estuprada, é porque de alguma forma ela consentiu, que banaliza a agressão física, moral e sexual, marche com a gente.
Diga não à violência!