quarta-feira, 31 de julho de 2013

O bebedouro do Largo da Ordem

Há uma música da Lívia Lakomy que gosto muito intitulada "As Polaquinhas", cuja letra diz o seguinte:

As polaquinha vão levando as “caroça” com os leite e as verdura prá vender lá na cidade
E quando vão chegando perto elas se ajeita, elas coloca os sapato e “aruma” os lenço nos cabelo
E é tanta gente diferente rindo junto e cada qual fala de um jeito e vão tentando se entender
O leite foi-se todo em troca veio o vinho e o café pros dia frio que ainda vão amanhecer
E os cavalo bebe água e a igreja bate o sino, o sol se esconde, já é hora de voltar
O frio esfria e elas vão cantando os hino, conversando e vão "sorindo" no caminho da colônia
E a paisagem é só pinheiro e o chão é só buraco e elas sabem que isso nunca vai mudar
Mas dá um calor de ver a casa no horizonte esperando toda vida as polaquinha voltar

A música é lindamente carregada de referências à história da imigração em Curitiba, inclusive no jeito de falar que até hoje percebemos nos descendentes desses colonos. O local onde o rapaz está sentado era onde os cavalos bebiam água, o sino que batia era o da Igreja da Ordem e o Largo da Ordem era onde os imigrantes vindos da colônias vendiam os seus produtos e também os trocavam pelos dos outros colonos. 
A história da nossa cidade está ainda impregnada nas nossas praças, nas nossas calçadas, nos nossos bosques, nos nossos monumentos, na nossa arquitetura e para que a Curitiba que conhecemos não perca a sua identidade, o tema da preservação do nosso patrimônio material e imaterial deve ser uma preocupação de todos que administram Curitiba e mais importante, de todos que moram aqui.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Exposição de grafites na Rua São Francisco










O motivo da rua São Francisco estar repleta de grafites foi muito bem explicado pela reportagem da Gazeta do Povo que replico abaixo.
Valmor Maiochi, 48 anos, não imaginava. Mas a solução para acabar com as pichações semanais na porta de aço de seu comércio estava justamente... em uma lata de spray. No final do mês passado, ele e outros 22 comerciantes da Rua São Francisco cederam o espaço da fachada de seus estabelecimentos para o grafite. Como resultado, a via se transformou em uma galeria de arte a céu aberto – cujo tema central era Curitiba e a obra do santo que batiza a estreita via do Centro da capital paranaense.
“Nunca pensei que a solução para a pichação fosse o grafite. Mas ficou ótimo e recomendo a todos os lojistas. Pela primeira vez, minha porta não é pichada após ser pintada”, diz Maiochi, proprietário da cinquentenária Confeitaria Blumenau.
A ação ocorreu no penúltimo domingo de junho (23) e fez parte do Projeto Arte Urbana – Memórias de Curitiba, coordenada pela Associação Comercial do Paraná (ACP). Apesar da escolha dos dois temas centrais, Iroclê Wykrota, consultora do projeto, afirma que o resultado teve o toque de criatividade dos grafiteiros.
“Pesquisamos muito e colocamos as ideias para os artistas, mas cada um trouxe sua visão para dentro dos temas escolhidos”, explica a consultora, que ressaltou a participação dos comerciantes. “Muitos tinham receio de como o tema seria abordado, mas depois eles acabaram participando e tentamos aproximar alguns desenhos à atividade desenvolvida no local”.
Apesar dos comerciantes verem o grafite como uma saída para a pichação, grafiteiro e pichador veem a situação de forma diferente. Nem um nem outro, como diz a gíria, “atropela” o trabalho alheio e, para grafitar uma área onde estava uma pichação, há a necessidade de autorização prévia de quem terá o desenho apagado.
“Na porta que pintei tinha uma pichação de um conhecido e liguei para ele pedindo autorização para fazer o grafite”, diz João Paulo Rotava, o “Bolacha”, que grafitou a imagem de São Francisco em um dos comércios da rua de mesmo nome.
De acordo com a coordenadora do projeto, nas próximas semanas, mais comércios da cidade deverão ganhar grafites. “Nossa ideia é expandir para outras ruas onde o problema da pichação seja recorrente”, adiantou – no último domingo, portas de aço na Rua Clotário Portugal, no São Francisco, também foram grafitadas.

Fonte: Reportagem de Raphael Marchiori para a Gazeta do Povo em 03/07/2013

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Rua São Francisco


Rua das mais antigas da cidade, a São Francisco já foi conhecida como Rua do Fogo, do Hospício, do Riachuelo e do Terço, em diferentes trechos e épocas, chegando à denominação atual em 1867.
De todas as denominações, Rua do Fogo é a mais antiga. Relacionada ao imaginário popular, acredita-se que a denominação tenha surgido em virtude de casas de “má fama” e suas moradoras. Com o passar do tempo muitas dessas casas transferiram-se para endereços mais distantes do núcleo central e a São Francisco adentrou o século 20 como uma rua eminentemente comercial, onde se encontrava de tudo um pouco: de móveis, roupas, livros e produtos de armarinhos a armazéns, bares e restaurantes; de serviços variados, como os consultórios, alfaiatarias, funilaria e barbearias.
Ainda nos dias de hoje a São Francisco conserva o traçado dos tempos coloniais. Tempos em que se amarravam cavalos em argolas fincadas nas estreitas calçadas de pedra e se penduravam os chapéus nos beirais das casas.
Esse texto e a foto em preto e branco que ilustra esse post, encontrei num tapume de um novo empreendimento imobiliário que será construído na São Francisco na esquina com a Presidente Faria.

O motivo dessa minha nova visita à Rua São Francisco tem relação com a dificuldade de se manter os prédios bonitos como os da foto colorida. Os comerciantes da rua para (tentar) evitar a rotina das pichações, decidiram tomar uma atitude que mostrarei amanhã.

domingo, 28 de julho de 2013

Curitiba dos anos 50






Continua até agosto na Casa Romário Martins uma exposição que mostra um pouco a história dos anos 1950 em Curitiba. Fotografias, vídeos e objetos relembram o momento em que a pequena capital começou a crescer e deixar o rótulo de pequena cidade para se tornar uma metrópole desenvolvida. A exposição “Anos 50 – Identidades” está aberta ao público na Casa  Romário Martins, no Largo da Ordem.
O período contado pela exposição também marca a expansão arquitetônica da cidade, na época do centenário da emancipação política do Paraná e não por acaso, o estilo escolhido pelo então governador foi o do Movimento Modernista. Foi nesta década em que Curitiba começou a ter arranha-céus e prédios modernos. Destacam-se nesse período a construção do Centro Cívico, a inauguração do Palácio Iguaçu, a Biblioteca Pública do Paraná e muitos outros marcos arquitetônicos com os quais convivemos até hoje.
As dezenas de retratos nas paredes mostram ainda a miscigenação cultural de um estado que buscava a própria identidade. Naquela época, o governo pensava em criar a ideia de um Paraná mais europeu. Porém, a região foi colonizada por povos que variam de afrodescendentes a ucranianos, passando por japoneses e outros povos.
Um dos destaques da exposição foi a Guerra do Pente, um gigantesco protesto que tomou a cidade e que foi controlado apenas com a presença do exército e seus tanques nas ruas. Tudo começou com a compra de um pente e a (aparente) recusa do comerciante sírio-libanês em dar o cupom fiscal ao ex-militar, que seria utilizado na campanha “Seu cupom vale um milhão”. Houve um embate físico entre os dois, o ex-militar acabou ferido, uma turba revoltada passou a quebrar todas os pequenos comércios na Praça Tiradentes, de início dos sírio-libaneses, mas depois de forma generalizada, palavras de ordem eram gritadas, lembrando um pouco o que vimos nos últimos meses pelo país afora! 
Mais detalhes sobre a Guerra do Pente, veja aqui!

A exposição deve ficar em cartaz até agosto deste ano e tem entrada gratuita. A Casa Romário Martins fica aberta de terça-feira a domingo.

sábado, 27 de julho de 2013

Kharina no Cabral



O Cabral está se tornando um bairro excelente para se buscar um bom restaurante. Um que é tradicional em Curitiba desde 1975, abriu uma nova sede no Cabral, o Kharina.
Fiz as fotos de hoje porque achei bem interessante o revestimento que usaram nos muros do novo Kharina. Após a primeira foto (da janela do meu carro esperando o semáforo abrir), percebi que uma pessoa se aproximava. Mantendo o enquadramento e o foco, disparei duas vezes enquanto ela passava.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Um anjo na Casa Romário Martins




Aproveitei minha ida ao Centro Histórico para ver uma bela exposição na Casa Romário Martins. Lá vi essa linda menininha acompanhada de seus pais, que ao contrário dela, estavam vendo as fotos enquanto ela, encantava-se com aquele enorme objeto cheio de botões no chão da casa que ela certamente não imagina para que serve!
A propaganda fixada na caixa registradora tem relação com uma promoção do final da década de 1950, cujo objetivo era aumentar a arrecadação de impostos, conclamando a população a exigir as suas notas fiscais. Essa promoção indiretamente levou à famosa Guerra do Pente!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Croquis Urbanos Curitiba - Centro Histórico


Os geniais "croquiseiros" do Croquis Urbanos de Curitiba, foram convidados (creio que pela prefeitura de Curitiba) para que durante o Festival de Inverno do Centro Histórico, o grupo fizesse um croquis da região. Solicitei ao grupo a imagem do banner que criaram no dia, ao que fui atendido com muita gentileza e o trabalho, como podem atestar, ficou excepcional.
Para aproveitar o meu último dia de férias, fui ao Centro Histórico durante a semana (menos movimento) e com uma pequena cópia do banner nas mãos, fotografei cada elemento do banner. Tentei o mais que pude, buscar os mesmos ângulos dos croquis. Dispus as imagens na mesma ordem, para que possam ver o modelo e o croquis com mais facilidade.
Espero que esse fantástico grupo continue a produzir essas preciosidades durante muitos e muitos domingos ainda.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Anfiteatro e bosque da Casa da Estrela




Ao redor da Casa da Estrela na PUC do Prado Velho um simpático anfiteatro batizado de Doktoro Zamenhof (o pai do Esperanto) e um bosque batizado de Marcelino Champagnat completam o cenário cujo destaque é a fabulosa casa. A visita é gratuita e de quebra, você pode estacionar dentro da PUC enquanto desfruta de um ótimo programa cultural.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Casa da Estrela aberta ao público







No dia 06/06/2013 foi inaugurada a Casa da Estrela no campus do Prado Velho da PUC PR. Praticamente toda restaurada, com o acesso à porta principal pronto, seu porão foi transformado em uma sala de exposição, no seu entorno foram também inaugurados o anfiteatro Doktoro Zamenhof e o Bosque Marcelino Champagnat.
Dentro da casa, painéis contam a história da família Castro, a história da Casa Estrela, descrevem todo o processo de restauro da casa e discorrem sobre a Teosofia (elemento importante na concepção da casa além do Esperanto). No andar superior cada ambiente tem um display com objetos da família Castro, formando um pequeno museu da família.

A Casa da Estrela está aberta à visitação de segunda a sexta, das 09h00 as 18h00. Por ser única no mundo e por estar em Curitiba, não percam a oportunidade de conhecer essa casa fantástica.