domingo, 26 de março de 2017

Desenhistas da Boca Maldita






Ontem na Boca Maldita entre os senhores que lá praticamente moram, passantes, turistas e comerciantes, o Urban Sketchers Curitiba acomodou-se e desenhou os dois prédios que ficam entre o Palácio Avenida e o Brás Hotel.

Enquanto fotografava os prédios, um senhor com forte sotaque perguntou se eu gostaria de comprar o prédio. Disse que achava que não teria recursos para tal e perguntei quanto custaria, ao que ele respondeu custar 9 milhões. Confirmou que o prédio lacrado pertenceu a duas irmãs que já faleceram e que lá moraram. Confirmou que no térreo havia uma loja de presentes, mas que não recordava-se o nome. À cada comentário tentava confirmar a informação com outro senho no banco, mas esse desconfiado se fazia de surdo.

Enfim, uma típica tarde de sábado na Boca Maldita!

sábado, 25 de março de 2017

Um antigo prédio do centro de Curitiba



Na rua Dr. Muricy na altura da primeira foto, reparei pela primeira vez no prédio da segunda foto e achei ele bem interessante. São quinze andares e se considerarmos que cada apartamento possui a janela central que parece ser uma sala, desconfio que seria um ou dois (se a fachada de trás for idêntica) apartamentos por andar.
Procurei nas janelas centrais algum personagem (vi depois que uma amiga fotógrafa conseguiu uma), mas ninguém apareceu.
Outro elemento que me chamou a atenção foi a estrutura quadriculada em concreto que acompanha toda a fachada e que obviamente serviu de escada para a ação de vândalos que picharam o prédio nos três primeiros andares e assustadoramente nos cinco últimos.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Pichação degradada


Ali no bairro São Francisco, em algum lugar ao redor do Shopping Mueller, fotografei essa casa onde até a pichação tá meio degradada. Se fosse em SP quem sabe estaria toda cinza, nesse caso, acho que do jeito que está é mais interessante.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Um nobre endereço lacrado!



Domingo fui tomar um café alí na Boca Maldita e de lá observei esse prédio baixinho exatamente ao lado do Palácio Avenida que mais parece a sede da Ordem da Fenix. Depois do café me aproximei para fazer as fotos que publico hoje.

Lembro de tempos atrás ter conversado com um amigo, Hugo Umberto, que comentou que esse prédio na Avenida Luiz Xavier e outro na rua Cruz Machado quase na Praça Tiradentes teria pertencido à duas irmãs que já faleceram sem deixar herdeiros diretos. Parece que parentes mais distantes estariam pleiteando a posse desses imóveis.

Na parte inferior do prédio funcionou uma joalheria/loja de presentes que pertencia ao pai dessas irmãs. Tentei encontrar referências à esse comércio na internet e não consegui. Mesmo em fotos antigas não é possível identificar o nome da loja.

Há muito tempo esse prédio está fechado aguardando um desfecho que parece estar demorando mais do que esse nobre endereço merece.

No prédio ao lado, onde hoje há uma loja de sapatos, também funcionou há bastante tempo uma loja da marca Ika, outro ícone de Curitiba que já não existe mais com a força que já teve.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Um lambe-lambe no centro


Caminhando pela Rua Desembargador Ermelino de Leão vi esse belo lambe-lambe e o senhor passando por ele. Saquei a câmera tão rápido quanto pude e registrei momento de um caminhante solitário ignorando o caloroso abraço!

Olhando a assinatura no lambe-lambe, vi que foi feito por @mzeferina, que procurando na internet descobri tratar-se de Maria Zeferina, uma designer de moda formada em Curitiba pela Tuiuti que mora em São Luiz e que faz arte de rua.

Abrindo sua página no Pictagram e no Facebook logo encontramos um parágrafo proferido por ela em uma palestra na qual ela diz: "Eu tenho medo da palavra 'feminismo'. Talvez pelo tanto de preconceito que ela carrega, mas não tenho medo de dizer que sou feminista, porque eu acredito neste movimento, assim como acredito em movimentos contra a homofobia e o racismo. Se o feminismo não existisse, eu nem poderia estar aqui falando com vocês hoje."  

terça-feira, 21 de março de 2017

Três décadas de arquitetura e um professor



Durante o último encontro do Croquis Urbanos como de costume, fico circulando pela região observando o pessoal e a cidade.

Num determinado momento olhei na direção do prédio sede do Banco do Brasil na Praça Tiradentes e percebi essa camada de prédios de épocas diferentes que são: o prédio que da Dr. Muricy (da década de 30), a sede do Banco do Brasil (da década de 60) e o Hotel Eduardo VII (da década de 50). Fiz a foto que numa tomada abraça três décadas de história da arquitetura curitibana.

Mais tarde fotografando os trabalhos, vi o desenho do Prof. Mário Sérgio e comentei com ele que havia feito uma foto exatamente considerando o que ele desenhou, ao que ele comentou que provavelmente teria sido ele que numa das nossas caminhadas observacionais pelo centro de Curitiba  teria me alertado sobre esse ponto de vista, que propõe essas camadas de história.

Interessante como incorporamos informações e essas passam a fazer parte do nosso repertório e basta um gatilho para que o conhecimento venha a tona, no meu caso e nessa situação, na forma de uma fotografia. E viva os nossos professores!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Croquis numa UIP da rua Dr. Muricy





Ontem o encontro do Croquis Urbanos aconteceu no centro de Curitiba, na rua Dr. Muricy pertinho da Biblioteca Pública do Paraná. Esse prédio é uma unidade de interesse de preservação e segundo levantou o colega Breno Burrego, trata-se de um casarão de fachada neoclássica que foi sede do escritório do famoso engenheiro e arquiteto Eduardo Fernando Chaves nos anos 1933 a 1942.

Eduardo Chaves foi autor de inúmeros prédios importantes, entre eles, o Edifício Moreira Garces, o primeiro “arranha céu” de Curitiba, os Palacetes de Luiz Guimarães, Batel (1924-1928) e de Julio Garmatter (1937) à Rua Dr. Kellers, Alto São Francisco (atualmente sede do Museu Paranaense).

domingo, 19 de março de 2017

A torre do mirante à distância


Olhando de longe, especificamente da Capela São Judas Tadeu no Cascatinha, nessa direção em que a foto de hoje foi feita, o único elemento não natural que aparece é a torre do mirante. Para quem não conhece a cidade, pode passar a impressão que onde a torre está implantada é um local pouco urbanizado.

sábado, 18 de março de 2017

Uma casa de montar


Circulando ali pelo Batel, na rua Gonçalves Dias encontrei essa casa construída num terreno não muito grande, talvez por isso me passe uma sensação de que tentou-se fazer uma casa grande num terreno pequeno e por isso os elementos parecem empilhados, encaixados muito próximos, como numa brincadeira de montar.
Não saberia definir o estilo da casa, mas parece uma mistura de tudo um pouco em três níveis diferentes, com direito à um belo ornamento metálico no par de janelas do sótão, que alguns dizem que tinha também a função de evitar que seres alados invadissem o ambiente quando as janelas estivessem abertas.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Uma casinha camuflada


Essa casinha de madeira no Alto da XV (quase Juvevê) está cercada por todos os lados. Prédios nos dois lados e nos fundos, na frente a rua José de Alencar com seu tráfego intenso. O jeito foi tentar camuflar-se atrás da vegetação e proteger-se atrás de grades e arames farpados!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Grupo Escolar Xavier da Silva






O Grupo Escolar Xavier da Silva é considerado o primeiro grupo escolar do Paraná planejado para receber o sistema de educação seriada ou seja, dividido em séries. Eram quatro séries com homogeneização etária.

Foi projetado pelo engenheiro civil Candido Ferreira de Abreu, em 1902, que foi prefeito de Curitiba em duas oportunidades e que projetou também o Paço da Liberdade.

O edifício está implantado no alinhamento predial na esquina das avenidas Marechal Floriano Peixoto e Silva Jardim. O edifício foi inaugurado em 10 de dezembro de 1903 e é tombado pelo patrimônio histórico do Paraná.

Numa entrevista que pode ser vista aqui, a arquiteta Elizabeth Amorin de Castro comenta que a arquitetura de um prédio diz muito sobre como era a vida, a cultura e a educação da época da construção. Uma das peculiaridades que o Xavier (como é conhecido pelos íntimos) trouxe na sua construção foi a implantação de dois pátios cobertos para recreação, um para meninos e outro para meninas, algo comum na Europa, mas pouco usual no Brasil.

O prédio de arquitetura eclética, visto de fora tem diversos elementos ornamentais, em alto padrão, feito para marcar esse momento da constituição das escolas públicas do Paraná e servir de modelo para as demais escolas. Internamente, por não ser visto da rua, há uma simplificação na construção. O pé direito do prédio é bastante alto por questões de ventilação e a construção em si é elevada por questões de isolação da umidade do solo.

Xavier da Silva foi um político paranaense nascido em Castro, que foi senador e por três vezes foi governador do Paraná durante a primeira república, quando o cargo era conhecido como presidente do Paraná. O colégio foi construído durante o seu segundo mandato e recebeu seu nome por ser uma tradição da época.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A mesquita a partir da mitra


Quando estive na Mitra da Arquidiocese de Curitiba na rua Jaime Reis no bairro do São Francisco para acompanhar o Croquis Urbanos, pude circular pelo pátio do prédio e do alto de uma escadinha, foi possível observar e fotografar a Mesquita Imam Ali Ibn Abi Tálib.

Interessante notar que a sede do catolicismo em Curitiba fica muito próximo da sede do Islamismo, convivendo pacificamente e isso (a tolerância religiosa) é uma das maravilhas do nosso país.

Para ver mais fotos da mesquita e saber um pouco da sua história, siga esse link.

terça-feira, 14 de março de 2017

A rua mais longa de Curitiba


A Avenida Marechal Floriano é a rua mais extensa de Curitiba! Nesse momento alguns dirão "opa! Não é não!".

Verdade, se considerarmos que a Rua Eduardo Sprada/Avenida Nossa Senhora Aparecida/Rua Gonçalves Dias/Avenida do Batel/Rua Benjamin Lins/Rua Doutor Pedrosa/Rua André de Barros/Rua Nilo Cairo/Avenida Senador Souza Naves, seriam uma única rua (apenas mudando de nome), esse conjunto seria a maior rua de Curitiba com 18 km de extensão.

Mas se considerarmos a rua com o mesmo nome, a Marechal Floriano com seus 12,5 km é a maior.

Esses dias uma amiga deu uma boa definição para a Marechal Floriano que eu procurava: árida! Trata-se de uma rua fortemente comercial, sem árvores, com uma canaleta de ônibus no meio e onde as pessoas não passeiam, mas apenas passam, como os dois amigos da foto de hoje.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Dois exemplares do modernismo de Curitiba



Do alto do ônibus da Linha Turismo fotografei esses dois exemplares da arquitetura modernista de Curitiba, ambos fazendo parte do conjunto de obras referentes ao centenário da emancipação política do Paraná.

O primeiro é a Casa da Criança, projeto de Edmir d’Ávila, nascido no Rio de Janeiro, mas que muito pequeno veio para Curitiba, formado em Engenharia Civil pela UFPR em 1947.
A Casa da Criança é um projeto de 1951, uma construção horizontal modulada, do qual apenas dois dos três pavimentos foram executados. Outro projeto de destaque de sua autoria são as arquibancadas do Hipódromo do Jockey Club do Paraná no Taruã.

O segundo é o Palácio da Justiça, projeto de Sérgio Rodrigues, nascido no Rio de Janeiro em 1927. Fez parte da equipe coordenada por David Azambuja, que projetou vários prédios do Centro Cívico. O edifício de 1951, que inicialmente havia sido planejado para abrigar as Secretarias de Estado, foi executado parcialmente (12 dos 33 andares propostos). Projetado em lâmina com laterais cegas e brises na fachada principal, possui pilares aparentes no térreo, mezanino e primeiro andar.

Fonte: Arquitetura do Movimento Moderno de Curitiba - Salvador Gnoato - Travessa dos Editores

domingo, 12 de março de 2017

O cair da noite na Praça Tiradentes





Da janela da sala do apartamento de uma amiga no quarto andar do Edifício Barão do Cerro Azul projetado por Elgson Ribeiro Gomes, fotografei a noite chegando à Praça Tiradentes e o acender das luzes da região. Nas fotos, podemos observar várias edificações históricas importantes do centro e do São Francisco.

sábado, 11 de março de 2017

Uma casinha no Bacacheri



Ontem fui à casa de uma amiga para entregar um exemplar do meu livro e descobri que ela mora numa linda casinha de madeira daquelas bem tradicionais, com duas aguas, entrada lateral, duas janelas frontais que dão para o micro jardim frontal.
Apesar dessa casa (que fica no Bacacheri) estar apenas a umas quatro quadras da minha, essa foi a primeira vez que a vi e registrei.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Circulando por Curitiba





Do alto do ônibus de turismo de Curitiba é sempre bom circular por Curitiba, para reencontrar paisagens familiares e que nem sempre você tem a oportunidade de simplesmente sentar-se sem outro compromisso além de observar.
Hoje alguns desses pontos que se observa ainda no início da viagem: a Catedral, a torre da Igreja do do Bom Jesus, o Teatro do Paiol e o Portal do Passeio Público (que imita o porta do cemitério de cães de Paris).

quinta-feira, 9 de março de 2017

Um recorte da Residência Bürgel


Enquanto fotografava o Edifício Iza Anitta, de longe fiz essa foto do casarão que foi construído em 1921 à pedido de Ricardo Bürgel. Arquitetada em estilo francês normando, seu projeto é muito fiel ao estilo proposto. Tem porão com paredes inclinadas, telhado em mansarda (estilo afrancesado) e estrutura básica de duas águas. O casarão é hoje sede da Ecco Salva.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Minha mãe...





1928 - 2017

E agora eles podem voltar a dançar juntinhos ...

terça-feira, 7 de março de 2017

Era uma casa muito engraçada ...







Era Uma Casa Muito Engraçada...

Que tinha teto, porta, janela e tudo que uma casa deve ter. Só que nesta, as paredes rangiam e a casa pulava junto com a criança que brincava.

E tinha um porão, que escondia todos os mistérios do mundo. E também tinha três Araucárias gigantes, que poderiam ser o baobá do Pequeno Príncipe ou o pé de feijão do Joãozinho.

Mas o mais curioso, é que essa era a única casa do mundo que já mudara de endereço!

O sopro dessa casa ainda está de pé, mas eu conto a história dela no passado porque ela faz parte das minhas memórias de infância. Foi meu Sítio do Pica Pau Amarelo. E por ela corri e brinquei com todo o imaginário de Monteiro Lobato.

Nessa casa tanta gente morou! Muita gente! Eu não!

Nela só dormi algumas noites, rodeada de gatos. Era quando a casa falava, em estalos e gemidos, como toda casa de madeira. Mas eu não tinha medo, porque a casa me protegia da escuridão da noite.

E lá o dia era mais dia, mas a noite era mais noite!

E enquanto eu nasci e crescia sempre na casa de tijolos não muito longe dali, aquela casa aventureira já tinha feito as malas e mudado de endereço.

Escolheu um lugar tranquilo, lá para os lados de um santo chamado Inácio para plantar suas Araucárias gigantes e abrigar todos os sonhos de infância.

E hoje, já com seus pra lá de setenta anos, abriga os cupins e suspira suas últimas histórias.

Texto: Luciana Maga