Apenas para ilustrar o post, publico hoje uma seleção de algumas das minhas imagens favoritas que em algum momento já apareceram aqui.
Ontem, casualmente, peguei para ler a melhor publicação sobre fotografia que conheço, a revista ZUM do Instituto Moreira Sales. Nessa quarta edição encontrei um texto fabuloso sobre o ato de fotografar.
O texto, de Wim Wenders, publicado no livro Once (D.A.P. e Schirmer/Mosel, 2001), foi traduzido do inglês por José Geraldo Couto.
De inicio, Wenders diz que
fotografar é um ato em duas direções: para frente e para trás. Portanto, toda
fotografia torna-se uma imagem dupla. A primeira vista o que se vê é o objeto
fotografado, mas escondido ou menos visível, encontraremos a imagem do fotógrafo
em ação e a sua atitude diante da imagem capturada
O autor diz que esse
fenômeno pode ser descrito por uma palavra alemã: Einstellung, que significa a
atitude com que alguém aborda alguma coisa ou o modo com que esse alguém entra
em sintonia e absorve a coisa. Essa
mesma palavra, Einstellung, é também um termo de fotografia e cinema, que
significa tanto o take quanto o modo como a câmera é ajustada. Assim em alemão,
uma mesma palavra define tanto a atitude como a imagem produzida.
Define-se a câmera como um
olho com a capacidade de olhar para a frente e para trás simultaneamente. Para
a frente, esse olho “tira uma foto” e para trás, registra a mente do fotografo
e o seu desejo pela imagem capturada.
O texto segue magnificamente
falando da singularidade de cada momento fotografado, de como cada fotografia
inicia uma história, tanto que cada foto deveria ser precedida da conhecida
frase “Era uma vez...”
Esse texto foi revelador
para mim, pois conseguiu traduzir em palavras o que sinto ao fazer as minhas
fotos e ao observá-las depois. Cada foto contém não apenas uma imagem, mas
também uma história e um pouco de mim mesmo.
Espero continuar a contar
com a companhia de vocês nessa que tem sido uma bela jornada.

















