quinta-feira, 31 de maio de 2018

Reforma ou demolição?


Quando ficamos muito tempo sem passar por algum local da cidade acabamos por nos surpreender pelo que vemos ou pelo que não vemos mais.

Nesse casarão na esquina da Av. Visconde de Guarapuava e Lamenha Lins se não me falha a memória, funcionava uma loja de peças de banho. Passando recentemente diante dela, vi que ela já encontra-se sem telhado, sem esquadrias e portas. Será reforma ou demolição?

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Caminhando pela José Bonifácio


Fiz essa foto da rua José Bonifácio numa linda manhã de domingo. De costas para o Largo da Ordem a e Galeria Julio Moreira (a galeria do TUC), olhando em direção à Praça Tiradentes, se vê do lado esquerdo a antiga sede da Ferragens Hauer, a Catedral Basílica de Curitiba e do lado direito, o Edifício Nossa Senhora da Luz projeto do arquiteto Romeu Paulo da Costa.

Não seria temerária a afirmação de que a rua José Bonifácio foi o primeiro traço do desenho atual da cidade de Curitiba. Depois de instalado o núcleo no local onde em 1668 foi eregido o pelourinho, símbolo de posse e justiça do reino de Portugal, os moradores procuraram construir suas casas em torno do grande pátio que ser formara.

Ao lado da capela de Nossa Senhora da Luz (atual catedral basílica), na direção norte, um carreiro alargava-se e tornava-se uma viela, face às casas que erguiam-se em ambos os lados. Sua extensão seria a mesma de hoje, uma vez que aos fundos, outro pátio se abria, onde foi construída a capela da Ordem.

Essa rua não ficou conhecida como Fechada por causa da construção da igreja da Ordem, mas porque uma vez demolida a velha capela para dar lugar à nova igreja matriz, essa foi edificada justamente no lugar da rua, impedindo o livre tráfego.

Com o tempo na direção da praça Tiradentes, na rua já não mais fechada pela correção da posição da igreja (a velha fora demolida para dar lugar à atual), instalaram-se comércios tradicionais como Ferragens Hauer, artigos de construção e pintura Stobel, leiteria Senff ( onde fica a casa Vermelha), onde colonos comiam rodelas de salsicha produzida pelo Garmatter. Nessa região, avizinhavam-se as famílias alemãs.

Mesmo adquirindo a denominação José Bonifácio, por muito tempo foi tratada por rua Fechada. O atual nome é de 1886, em memória do Patriarca da Independência.

Principal fonte: Livro "Ruas e histórias de Curitiba" de Valério Hoerner Júnior. Editora Artes e Textos. Curitiba, 2002

terça-feira, 29 de maio de 2018

Dia internacional da África no Memorial de Curitiba





O Dia da Libertação da África é celebrado no dia 25 de maio e em Curitiba no Memorial de Curitiba houve uma comemoração no último final de semana com uma feira, apresentações de música, cultura, gastronomia, artesanato, além de palestras.

Esse dia pretende resgatar a importância do continente, celebrar sua beleza, riqueza e as contribuições negras na fundação e desenvolvimento de Curitiba e de todas as cidades centenárias do Paraná.

A data marca a luta do povo africano por independência e libertação colonial e a fundação da Organização da Unidade Africana, em 1963, em Addis Abeba, na Etiópia. Participaram daquele momento histórico 32 estados africanos.

“Para nós, afrocuritibanos e africanos da capital do Paraná, os desafios vão desde o reconhecimento da existência da nossa população afrodescendente, negada historicamente, desmistificando a falsa ideia de que em Curitiba não existe população negra”, diz Adegmar da Silva Candiero, assessor de Direitos Humanos e Igualdade Racial de Curitiba.

Alguns exemplos de contribuição positiva da presença negra no desenvolvimento da capital foram, entre outros, os mestres construtores especialistas em taipa, responsáveis pelas mais antigas edificações da cidade; os africanos detentores das técnicas milenares de prospecção, extração e fundição do ouro, do bronze e do ferro; e a participação dos brilhantes engenheiros negros irmãos Rebouças na qualificação do mate para exportação. (Fonte: Fundação Cultural de Curitiba).

No momento em que estive no Memorial de Curitiba, apresentava-se no palco o coral Vozes da Angola, cuja origem é a cidade de Luanda. Eles possuem um repertório eclético de músicas africanas (cantadas em dialetos regionais), de autoria própria (cantadas em português), músicas brasileiras e outras. A banda é formada por Emília Cussama, Delfina Amarilis, Manuela Reis, Isabel Yambi, Jacob Cachinga, Mauricio Dumbo e Rui Kelson. (Fonte: página do grupo no Facebook).

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Ferragens Hauer e o Croquis Urbanos





Ontem o casarão que já abrigou as Ferragens Hauer foi o local de encontro do Croquis Urbanos. Recém restaurado e já com algumas portas pixadas, o prédio será ocupado por um órgão público.

O destaque do encontro ficou por conta de uma família de equatorianos que vendia artigos de inverno na rua. O filho do casal, Yandel Maigua, de 6 anos, curtiu o pessoal ali desenhando, pediu papel e lápis e fez um belo desenho.

domingo, 27 de maio de 2018

Uma típica imagem da rua das Flores


Essa é uma imagem muito típica de um dia comum em Curitiba na rua XV, na verdade nesse ponto da Boca Maldita no Centro, o nome certo é Avenida Luiz Xavier.

Na rua XV de todos os dias, pela qual eu infelizmente não passo mais com tanta frequência como antes, pessoas caminham apressadas para e do trabalho, outras caminham tranquilas indo ou vindo das compras, outras sentam nos bancos para descansar, ler e curtir a movimentação diária dessa que é a minha rua favorita em Curitiba.

sábado, 26 de maio de 2018

Uma moradora do prédio do relógio


Ali bem juntinho do relógio verde do prédio que um dia abrigou a Relojoaria Raeder na esquina da Rua Riachuelo com a Travessa Tobias de Macedo, fotografei uma possível moradora do prédio, sentada num banquinho tendo uma vista privilegiada do intenso e diverso movimento de carros e pessoas que passam pela Riachuelo.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Um Palco dos 5 Sentidos


Nesse casarão que é uma Unidade de Interesse de Preservação na rua Barão do Rio Branco, funciona o Palco dos 5 Sentidos, uma casa que oferece gastronomia e música erudita (e outras também). No local também se abre espaço para exposições e eventos como lançamento de livros.

O casarão fica na Rua Barão do Rio Branco, 438

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Onde havia um colégio


No número 126 da rua Riachuelo no cento de Curitiba há um prédio abandonado do qual resta apenas a casca, em cuja fachada ainda se encontra fixada uma placa onde se lê "Colégio Metropolitano".

Na internet não encontrei informações se esse colégio ainda existe em Curitiba, mas numa matéria li que em 2015 o teto desse prédio, que já estava abandonado, ruiu e nessa época o colégio já não funcionava mais nesse endereço. Três anos se passaram e o estado de abandono persiste.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Brincando no gramado


A Praça Guido Viaro no Prado Velho onde fica o Teatro Paiol, tem ao seu redor um enorme gramado que seria convidativo à atividades recreativas ou um simples descanso, mas os únicos que apareceram fora os desenhistas que lá estavam para registrar o teatro, foram esses dois cães que curtiram um pouco o gramadão antes de seguirem caminho.

Ouvi de várias pessoas que ficar naquela região à passeio é arriscado e que somente num grupo numeroso como o nosso se pode ficar um pouco mais tranquilo. Triste!

terça-feira, 22 de maio de 2018

Guaraúna















Essa belíssima casa que fica na Rua Deputado Nilson Ribas, no Seminário, hoje abriga uma loja de revestimentos chamada Guaraúna, administrada por Ester Isfer.

A casa foi construída em 1947 pelo Sr. Antonio Manoel Isfer (Marum). Pelo que li no site da Federação Espírita do Paraná, o Sr. Marum foi sócio de seu irmão Abibe Isfer de uma cerâmica ou olaria na região. Muitas das peças produzidas foram utilizadas na construção da casa.

O Sr. Abibe Isfer casou-se com Ana Elvira Moletta. Tiveram sete filhos, dentre eles Lício Isfer, pai de Ester.

Lício Isfer é proprietário de uma fazenda adquirida em 1966 no município de Palmeira, cujo nome é Fazenda Guarauna, onde nos últimos 30 anos vem desenvolvendo um consistente trabalho de melhoria genética, resultando no que hoje se chama a Moderna Raça Caracu ou Novo Caracu. A fazenda recebeu esse nome por ser margeada pelo Rio Guaraúna, que na língua Tupi-Guarani, quer dizer “garça escura”. Acredito que a loja de Curitiba recebeu o mesmo nome em alusão à fazenda.

Uma parte da história da casa me foi contada pelo Sr. Amador Nazaré, que com sua esposa Francelina, são hoje os caseiros da propriedade. Seu Amador há mais de 30 anos trabalha com a família Isfer, sendo trazido de Presidente Prudente pelo Sr. Lício. Ele, do alto dos seus 80 anos, ainda tem grande disposição para coletar os galhos que as belas araucárias espalham pela propriedade e para cuidar das árvores frutíferas como uma linda jaboticabeira (que esse ano não produziu), uma abacateiro que ele mesmo plantou há décadas, um pé de mimosa (que está carregado) e outras árvores.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Croquis Urbanos no Campina do Siqueira





Ontem estive com o Croquis Urbanos no Campina do Siqueira para desenhar e fotografar uma casa que hoje é sede de uma empresa de revestimentos, mas que um dia foi a casa sede de uma chácara onde existia uma olaria. A história dessa casa eu espero descobrir mais detalhes nos próximos dias. Por hora, seguem as fotos do encontro do Croquis.

domingo, 20 de maio de 2018

O tempo e uma casa de madeira




Essa casa de madeira fica rua Dr. Reynaldo Machado com a Chile no bairro Prado Velho.

As duas primeiras fotos eu fiz há poucos dias e a terceira foi feita em 2012. Me parece que os seis anos que separam as duas tomadas, apenas mostram a degradação que uma casa de madeira é submetida se não recebe de seu proprietário constantes cuidados como pintura e substituição de tábuas danificadas.

sábado, 19 de maio de 2018

Em demolição?


Fotografei essa casa em processo de demolição (pensou eu) na Alameda Augusto Stellfeld, perto do cruzamento com a Angelo Sampaio, região valorizada e com poucos terrenos disponíveis.

Acho a cena melancólica, pois uma casa que um dia já foi ocupada, guarda histórias de pessoas que um dia ansiaram pela sua construção, definiram planta, acabamentos, móveis e nela viveram suas vidas. A casa nesse momento parece um ponto final em um capítulo, para em breve quem sabe, abrir outros.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Uma palavra nova


Aprendi uma palavra nova esses dias: gentrificação. Vi essa palavra num post que fiz de uma casinha de madeira verdinha da Itupava e num artigo compartilhado por uma amiga virtual, no qual o tema é mais explorado, associado à rua São Francisco e ao fechamento de mais um estabelecimento.

Para quem como eu não sabia, gentrificação é uma palavra aportuguesada do termo inglês gentrification que deriva de gentry que significa "pessoa de boa posição social" ou "bem nascido". A palavra foi cunhada para definir um fenômeno no qual uma determinada região urbana degradada (violência, infra precária, abandono) recebe investimento público e privado, tornando essa região  valorizada de tal forma que os o aumento do preço dos imóveis e custos dos serviços termina por expulsar os moradores originais pois esses não tem mais grana para bancar a vida no local, sendo substituídos pela "gentry people". Esse fenômeno aconteceu em vários lugares do mundo, tendo Nova York como fonte de vários exemplos.

O artigo que me referi acima comenta uma declaração do proprietário do bar que fechou (ou está para fechar) na qual atribui o fechamento do estabelecimento à vitória dos adolescentes pardos da periferia que passaram a frequentar a São Francisco e que uma "gentil gentrificação" que o bar tentou instituir foi derrotada. Me parece de fato que se o comentário do bar foi esse, foi bastante infeliz. Nunca frequentei a noite da São Francisco, mas as pessoas que conheço e que deixaram de frequentar dizem que assim o fizeram por causa do tráfico e da violência que voltou a fazer parte da rotina da rua, simples e triste assim.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Talvez bêbado e equilibrista


Fotografei essa figura na Rua Riachuelo. Ele passou com um andar vacilante, meio que fazendo uma dança sem corda bamba ou sombrinha, equilibrando no boné uma beberagem. A quem passava, fazia irreverências mil.

A cada passo na linha imaginária da calçada, passava a impressão de que poderia cair e se machucar. Mas seguiu feliz cantando e dançando sua dança desajeitada, como se soubesse que o show de todo artista tem que continuar.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Uma casinha de madeira da Itupava



A rua Itupava é hoje um polo gastronômico e de bares bastante frequentado durante todas a semana, uma característica que podemos dizer que é bastante recente. Na região apenas o Beto Batata e os empreendimentos do Délio Canabrava serviam à esse propósito. Hoje há diversos estabelecimentos e alguns com as mesmas características da Vicente Machado, Shopping Hauer e Trajano.

Mas para lembrar o que era essa rua, algumas casas ainda timidamente resistem à agitação, como essa simpática casinha de madeira bem verdinha, que o tempo obrigou a fazer crescer uma grade muito perto da sua fachada, fotografada por mim numa manhã de sol. Tomara que resista muito tempo ainda, mesmo quem sabe, recebendo mais algum tipo de restaurante.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Teatro na Santos Andrade


O Festival de Teatro de Curitiba já havia terminado quando fiz essa foto de um pequeno grupo de teatro num palco improvisado apresentando-se diante de uma pequena platéia que acomodou-se nas escadarias da UFPR. A cena mostra além das pessoas prestando atenção ao espetáculo, aqueles que simplesmente seguem sua vida como se nada estivesse acontecendo, como o gari que cutuca algo entre os petit pavés.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Teatro Paiol












Devido a uma grande explosão na velha estação ferroviária que deixou vítimas fatais, o então comandante do exército determinou a mudança do paiol de pólvora para o Bacacheri. Com a expansão da cidade, prefeitura e exercito chegaram a um acordo pelo qual em 1906 os inflamáveis teriam seu próprio depósito, uma Paiol de Pólvoras, construído na praça Guido Viaro, mantendo essa função até 1917.  O seu formato circular foi planejado para minimizar o risco de explosões, expelindo os materiais pela parte superior e não pelos lados.

Depois de ter sido um armazém de pólvora, serviu de local para guarda de documentos da prefeitura e materiais municipais. Anos mais tarde virou uma usina de asfalto.

Com projeto do arquiteto Abraão Assad, o Paiol foi inaugurado como teatro de arena com 225 lugares numa segunda-feira no dia 27 de dezembro de 1971, com um show de Vinicius de Moraes, Toquinho, Marilia Mendonça e do Trio Mocotó.

Outros grandes nomes da musica e do teatro fizeram shows no Teatro Paiol entre eles, Elis Regina, Marilia Pêra, Trio  Mocotó, Hugo Cardoso, Olivia Byington, Trio Quintina, Gonzaguinha, Zezé Motta, Djavan, Nana Caymmi, Hermeto Paschoal, Alaíde Costa, Leni Andrade, Elza Soares, Zizi Possi, Cida Moreira, Fátima Guedes e muitos outros.

Jaime Lerner, prefeito de Curitiba na época e quem deu vida ao projeto de transformar o antigo paiol de pólvoras em teatro escreveu: “O teatro é, nas suas variadas formas, a mais personalizada dentre as manifestações artísticas do homem”.

Mesmo tendo se tornado símbolo da Fundação Cultural de Curitiba, presente na logomarca da instituição, o teatro passou por várias reformas ao longo da sua história e por inúmeras vezes esteve por um triz de ser esquecido..

Em agosto/2017 o Paiol foi fechado para reforma, incluindo obras de acessibilidade, substituição de calhas, adequação da iluminação e outras ações. A reforma contou com a consultoria técnica do arquiteto Abrão Assad - responsável pelo projeto do teatro -, projeto de readequação elaborado pelo Instituto de Pesquisa Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e gestão do Instituto Curitiba de Cultura e Arte.

O Paiol foi reaberto no final de janeiro/2018 para receber eventos 35ª Oficina de Música de Curitiba. Em março recebeu espetáculos do Festival de Teatro de Curitiba. Atualmente retomou sua programação permanente, com destaques, segundo antecipa a FCC, para o Música no Paiol, Paiol Literário, Paiol Digital e Terças Brasileiras, além da agenda aberta a produtores independentes para uso do espaço.

O Teatro Paiol está localizado no Largo Professor Guido Viaro s/nº, no bairro Prado Velho.

Fontes: Fundação Cultural de Curitiba, Wikipedia, Gazeta do Povo