Félix E. Szabo e o USK Curitiba

 

Casa Jardim Social 1

Casa Jardim Social 2

Casa Amintas de Barros

Casa Amintas de Barros em construção - dec. 50

Casa Amintas de Barros conclu;ida - dec. 50

Casa Desembargador Westphalen


Participar do USK Curitiba como fotógrafo é sempre uma fonte inesgotável de oportunidades para conhecer pessoas, lugares e histórias da nossa querida Curitiba.

Uma dessas oportunidades me permitiu conectar a história de duas casas que, em pouco mais de dois meses, foram desenhadas pelo grupo e fotografadas por mim.

As casas visitadas ficam na Avenida República do Líbano, 50, no Jardim Social, e na Rua Desembargador Westphalen, 1144, no Rebouças.

O que conecta a história dessas duas casas é a atuação de um artista e engenheiro civil chamado Félix Emerico Szabo (1906–1986).

Quando publiquei as fotos da casa do Jardim Social, Elizabeth Szabo comentou que aquela construção era uma cópia praticamente idêntica de outra casa projetada por seu pai, Félix Szabo, que ainda existe na Rua Amintas de Barros, 550, no Centro de Curitiba. E havia mais: a casa que o grupo desenhou na Rua Desembargador Westphalen, 1144, estilo normando, também é projeto de Félix Szabo e sempre foi ocupada pela família.

Um parêntese: a existência da casa da Amintas de Barros ajuda a esclarecer uma dúvida mais do que pertinente levantada pelo arquiteto Fernando Popp. Ao observar a construção do Jardim Social, ele comentou que se tratava de uma edificação estranha ao bairro, pois não combinava com o padrão das casas da região, em sua maioria construídas na década de 1970. Aquela casa da Avenida República do Líbano tinha toda a aparência de uma construção dos anos 1950, justamente a década em que foi erguida a casa original, na Amintas de Barros. Na mosca, Popp!

A casa da Amintas de Barros foi projetada por Félix e, possivelmente, construída pela Irmãos Thá, a pedido de Augusto Rizental, amigo da família Szabo.

Pedi a Elizabeth que me contasse um pouco da história de seu pai. Compartilho a seguir algumas das informações que ela gentilmente me forneceu.

Em 1885, Nicolao Szabo (ou Miklós Szabo) desembarcou em Paranaguá, vindo da Hungria, para trabalhar na construção da Estação Ferroviária de Curitiba. A convite dos responsáveis pela obra, aceitou o cargo de desenhista, quando já era estudante de Engenharia.

Foi nessa época que conheceu Emilia Gavois, imigrante francesa. Os dois se casaram e tiveram vários filhos, entre eles Félix E. Szabo.

Félix Szabo conviveu com grandes nomes da arte paranaense, sendo amigo de Theodoro de Bona, Arthur Nísio, Guido Viaro e outros. Foi aluno de João Turin, experiência que pode ter contribuído para seu reconhecimento como paranista. Entre seus trabalhos, estão os móveis do Tribunal de Contas do Paraná, desenhados com motivos ligados ao Paranismo, como a erva-mate e o pinhão.

Desde 1929, atuou como professor de desenho na Escola de Aprendizes Artífices do Paraná, instituição que, ao longo de sua trajetória, se transformou no CEFET-PR (Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná) e, posteriormente, na atual UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). Em mais de uma ocasião, também foi convidado a substituir Erbo Stenzel como professor na Escola de Belas Artes.

Félix Szabo cursou Engenharia Civil na Universidade do Paraná, onde se graduou na década de 1940. Projetou e construiu diversas casas em Curitiba, principalmente nos anos 1950, entre elas as duas que mencionei no início deste texto.

A casa da Rua Desembargador Westphalen sempre pertenceu à família e guardava, segundo Elizabeth, semelhanças com a da Amintas de Barros, como o assoalho e a lareira, que são iguais.

Mais uma vez, o desenho e a fotografia abriram caminho para uma descoberta: por trás de duas casas curitibanas, aparentemente tão distintas, existe a história de um mesmo artista e engenheiro, cuja trajetória também faz parte da memória da nossa cidade.

Comentei com Elizabeth que descobrir histórias como a de sua família é uma das coisas de que mais gosto nesta minha trajetória com o Circulando por Curitiba, pois percebo que são essas histórias, somadas ao longo do tempo, que construíram a cidade que tanto amo.

As fotografias em preto e branco foram gentimente enviadas por Elizabeth Szabo.

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