quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Circulando pela Arquitetura Modernista de Curitiba








Ontem entre amigos e familiares, tive o privilégio de abrir a minha exposição intitulada "Circulando pela Arquitetura Modernista de Curitiba", composta de vinte e quatro imagens de edificações que pessoalmente gosto dessa arquitetura na nossa cidade, na Carmesim Espaço de Arte e Design.
Agradeço à Carmesim pela oportunidade e a todos que foram e que certamente visitarão a exposição, que ficará aberta de 18/02 à 21/03, de segunda à sábado das 10:00 às 19:00 na rua Dr. Faivre, 621.

A seguir, o texto elaborado pelo arquiteto Key Imaguire Jr para apresentar a exposição:

As mudanças na Arquitetura não ocorrem segundo mutações súbitas ou mesmo de curto prazo. Entre duas obras limiares indicando rumos diferenciados e opostos, haverá sempre aquelas com dosagens variadas tendendo à antiga ou à nova direção. Nesse sentido, conceitos como “inovador” ou sua radicalização “revolucionário” têm validade muito limitada. Num ambiente como o da cultura brasileira da primeira metade do século XX, fica particularmente evidente que “evolução” é sempre mais verdadeiro que “transformação”.

Tomemos como exemplo a Semana de 22. Foi revolucionária, inovadora? Num certo sentido, sim: fez foco sobre idéias ainda não solidificadas nem mesmo junto às raízes européias. Mas um olhar mais atento, mostrará que sua ocorrência não foi tão súbita – vários eventos anteriores, no mesmo espírito, a antecederam. Da Semana em si, sabemos que teve repercussão muito limitada, restrita a um ambiente de poucos personagens. O crescimento e afirmação das idéias modernistas em São Paulo e no Brasil aconteceu aos poucos e inclusive, indiretamente, numa irradiação irregular e paulatina.
Na Arquitetura produzida em Curitiba, observa-se que entre a primeira manifestação claramente modernista – a casa de Frederico Kirchgassner – e sua consolidação definitiva – o início do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paeaná, em 1964 – há uma sucessão de obras apontando a nova direção. Algumas sumamente vistosas – como a construção do Centro Cívico Estadual, o Conjunto da Reitoria, as obras de Vilanova Artigas – todas importantes em diferentes escalas, representando a legítima “vontade de modernidade” contra as forças culturais e sociais de inércia.
No período que antecede à criação do CAU/UFPR, a intenção de praticar Arquitetura oferece dois caminhos:
- cursar em outro lugar: Kirchgassner fará curso à distância com a Alemanha; Artigas em São Paulo e Xavier Azambuja na ENBA do Rio de Janeiro;
- cursar Engenharia na cidade e, usando da ambigüidade do diploma, buscar formação específica autodidática em livros e revistas.
As quatro décadas entre a Casa de Kirchgassner e a atuação dos arquitetos formados na cidade – sob rigorosa estética modernista – são dominadas por esses profissionais, que marcam a paisagem urbana com sua leitura do novo vocabulário para a construção.
A amostragem de fotos do Washington Takeuchi é centrada principalmente nesse período, embora extrapole dele em mais de um momento. Mas, com  seu olhar aguçado para as questões do espaço da cidade e da Arquitetura, nos oferece um sentido evolutivo das ocorrências curitibanas.

12 comentários:

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  2. É a 1ª de uma série de exposições, meu querido amigo Takeuchi. Parabéns!

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  3. Parabéns pela excelente ideia. Visitei Curitiba no mês passado ( estive em 2011 também), e fiquei encantada pelo design dos prédios que compõe o cenário curitibano, tanto o velho quanto o moderno. Lamento muito não estar aí para apreciar sua exposição, pois só voltarei à Curitiba no feriado Pascal. Enviei email para outro assunto que pode ser de seu interesse.

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  4. What a wonderful exhibition. I wish I could be there to see your photos in real life. I especially like the first photo on the cover of the brochure.

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    1. Thanks a lot FotoMarg. The photo you mentioned is the first modernist house in Curitiba. It was build in 1930.

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  6. Tive o prazer de estar na abertura. Parabéns! São inúmeras as suas qualidades, esta é apenas mais uma que não conhecia; um talentoso fotógrafo.

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    1. Que bacana! Obrigado Mitiko, foi uma honra poder contar com a sua presença na abertura. Grande abraço!

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