terça-feira, 3 de março de 2015

Seu Joel, lambrequins e a Carpintaria São Judas Tadeu











Por sugestão e convite da amiga e professora Doralice Araújo, uma atenta caçadora de lambrequins (curitibanos ou não), fomos visitar a Carpintaria São Judas Tadeu em Santa Felicidade. Incrivelmente essa carpintaria ainda fabrica lambrequins (têm modelos prontos ou ao gosto do freguês), motivo principal que nos abalou ao local na última sexta-feira.

Fomos recebidos pelo Sr. Joel Vendramin, terceira geração da família a trabalhar na carpintaria. Surpresa maior foi descobrir que a maior atração do local não são os lambrequins (o que não é pouca coisa), mas o próprio sr. Joel e suas ótimas histórias (daria uma coleção, segundo ele).

Em 1878 Giuseppe Vendramin veio da Itália da região do Vêneto acompanhando seu tio e juntamente com outras 14 famílias fixaram-se onde hoje é Santa Felicidade. Essas foram as 15 primeiras famílias que ali resolveram fincar raízes e que mais tarde, ganharam a simpatia de Dona Felicidade e dela também, porções de terra para tocar a vida com toda dignidade. A hoje Manoel Ribas era o caminho principal e ponto mais alto do grande terreno que tinha em ambos os lados um rio. A porção original do terreno que coube aos Vendramin é a que ainda hoje abriga a Carpintaria São Judas Tadeu.

No princípio todas as famílias decidiram-se a agricultura e a plantar uvas para fazer o vinho, mas logo perceberam que não teriam onde guarda-lo. Giuseppe apresentou-se dizendo que na Itália trabalhava com carpintaria e que ele poderia fazer os barris para guardar a produção e assim o fez. Logo, além dos barris, estava fabricando as carroças e até os caixões. Em 1930 a carpintaria São Judas Tadeu foi oficialmente criada, onde trabalhava Giuseppe e seus filhos. Mais tarde cuidou da carpintaria seu filho Alfredo e hoje, seu neto Joel, um bem humorado contador de histórias, como aquela em que seu avô, intrometido como ele próprio (segundo o sr. Joel), decidiu abrir com um formão ante ao desespero de uma viúva e os apelos contrários dos presentes, o caixão de zinco lacrado por vários dias onde jazia o corpo do marido da pobre italiana. Ao golpe da primeira marretada no formão firmemente posicionado na solda, jatos de algo muito mal cheiroso tornou irrespirável o ambiente. As roupas de Giuseppe tiveram que ser queimadas imediatamente e mesmo após vários banhos, teve que dormir fora de casa vários dias até que o mal cheiro se dissipasse.

Tivemos pouco tempo para continuar a ouvir as histórias, já que o sr. Joel teve que atender alguns clientes, mas fomos autorizados a fazer fotos à vontade, as quais compartilho hoje aqui.

Já de saída uma grande surpresa. O garotinho de nome Silvio que na foto de 1930 tinha com quatro anos, apareceu depois de muitos anos para visitar o seu primo Joel, reencontro que tive o prazer de registrar. 

Antes de sair, mais uma graça do seu Joel. Disse ele que todos da família dele são muito simpáticos, mas todos extremamente feios e que ele estava pensando em fazer um concurso em Santa Felicidade para eleger o descendente de italiano mais feio do bairro. Ele achava que tinha grande chance de ganhar, até ver seu primo Silvio, que segundo ele é muito mais feio! Que figura!!!

Fiquei de levar as fotos que fiz para o sr. Joel, quando espero ter a oportunidade de ouvir outras histórias.

2 comentários:

  1. As fotos reunidas acima ficaram excelentes e as histórias interessantes ouvidas estão até hoje na minha cabeça, Takeuchi. Precisamos voltar à Carpintaria S. Judas Tadeu com outros amigos dos lambrequins, da fotografia e do desenho. O tema rende muitos relatos e crônicas.

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    1. Sem dúvida renderá belos croquis e ótimas histórias.

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