Minha casa, o Edifício ASA



O Edifício Asa foi construído em uma ponta de quadra logo à frente da Praça Osório, entre as ruas Cândido Lopes e Carlos de Carvalho, com a sua frente maior voltada para a estreita Voluntários da Pátria. Possui uma famosa galeria com teto em abóboda imitando o céu, obra do Seu Zarur, falecido síndico. São três acessos: Praça Osório, Voluntários da Pátria e Al. Dr. Carlos de Carvalho.

 

O Asa foi o primeiro edifício comercial e residencial de Curitiba, foi construído entre 1950 e 1957. A obra ficou a cargo da Aranha Engenharia S.A. e dai veio o nome do prédio.

 

Possui 22 andares, tendo duas alas residenciais e uma ala comercial.

 

A Ala Residencial Osório possui dois apartamentos por andar, um com 115 m2 e outro com 119 m2, ambos com 3 dormitórios. A Ala Residencial Carlos de Carvalho possui outros dois apartamentos por andar, um com 98 m2 e outro com 102 m2, ambos com 2 dormitórios.

 

A ala comercial possui quatorze conjuntos por andar com tamanhos que variam de 35 à 55 m2.

 

No total são 413 unidades residenciais e comerciais, incluindo as lojas da galeria e as externas.  A galeria, possui diversos estabelecimentos comerciais, o que contribui para a altíssima circulação diária estimada de 4.000 pessoas.

 

As unidades comerciais oferecem uma infinidade de serviços. Já figuraram cassinos, emissoras de TV, sindicatos e consultórios. Na parte externa, a fiel Copiadora Gabardo persiste no local há mais de cinquenta anos.

 

O prédio teve sua construção a partir do concreto armado com as vedações em alvenaria e esquadrias de alumínio. As fachadas laterais contam com janelas igualmente distribuídas, já as da fachada principal formam linhas que se repetem até o último andar.

 

Apesar de uma aparência modernista, com a imposição de pilares em linha e janelas em fita, o seu interior é carregado de elementos do estilo art déco, como os encontrados em padrões geométricos nas paredes e pisos, além dos ornamentos em ferro presentes nas escadarias.

 

O Edifício Asa é carregado de histórias. Algumas delas ecoam como lendas, como a história da noiva que abandonada no altar se atira do prédio, avermelhando o seu vestido em sangue, e que vez ou outra ressurge pelos corredores.

Fontes: 1 - Site Prédios de Curitiba; 2 - Planta tipo de um dos andares;

 

Minha família possui o apartamento 901 na Ala Osório desde 1971 e nele eu morei de 1978 até 1990. Esse prédio é parte importante da minha história e da minha paixão por Curitiba. Conheci cada canto daquele prédio, suas escadas, seus corredores, seu frio o ano todo. Da janela do meu quarto observava as pessoas lá embaixo seguindo suas vidas, via os jogos de futebol na cancha de areia, via as crianças brincando no parquinho. Vi com pavor o Edifício Moreira Garcez pegar fogo, lançando grossas nuvens de fumaça escura na minha direção. Via a passagem das estações nas árvores da praça e a vida pelas janelas dos outros prédios. Assisti à inauguração da nova iluminação da praça que a tirou do perigoso breu noturno. Lá meus pais moraram até meu pai se mudar para um andar superior. Não há uma única vez que passando pela Osório e olhando para Asa eu não conte até 9 para achar as nossas janelas.

Comentários

Postagens mais visitadas