domingo, 29 de setembro de 2013

E mais uma casa modernista tombou!




Em 03 de dezembro de 2011 eu fiz as duas primeiras fotos de hoje, de uma casa projetada por Ayrton Lolo Cornelsen, um importante arquiteto do movimento modernista de Curitiba, numa época em que a casa já parecia abandonada, tendo como seu último ocupante uma empresa de segurança.
As fotos seguintes mostram o que restou no terreno depois da total demolição da casa, que ficava no Alto da XV, na Rua José de Alencar.
No post da época escrevi que a casa fora projetada em 1945 como residência para Nelson Justus, um ex combatente da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Itália, onde durante a campanha, hospedou-se numa residência que possuía um átrio e por essa razão, solicitou que essa solução especial fosse repetida no projeto de sua casa em Curitiba. Partindo dessa premissa, Cornelsen desenvolveu uma distribuição espacial inédita nas residências curitibanas. Todas as áreas sociais eram integradas por esse átrio, que por meio de persianas poderiam ser segmentadas. 
Disse também na época que por ser um projeto inovador para a história da arquitetura de Curitiba, a casa merecia ser preservada! Infelizmente não foi, certamente pelo alto valor do terreno que ocupava. Certamente em breve veremos mais um daqueles prédios de aproximadamente 10 andares bastante comuns na região, apagando de vez essa casa da memória da cidade. 
No local, ficou apenas a bela árvore! Imagino que essa será um dia a única testemunha de tudo!
As informações sobre a casa eu obtive no livro “Espirais de Madeira – uma história da arquitetura de Curitiba” de Irã Taborda Dudeque.

19 comentários:

  1. Lembro da casa... com a especulação imobilíária não há o que reste, nem casa, nem história e nem bosques... fim dos tempos!

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  2. Muito triste tudo isso... E a memória da cidade vai se perdendo...

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    1. Percebo que muita gente preocupa-se com a história da cidade e seu patrimônio. Cada cidadão deveria manifestar essa preocupação aos vereadores e prefeito. Acho que teríamos mais chances de preservar a memória da cidade.

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  3. a próxima a ser derrubada é da padaria Kaminski na Água Verde, local de anos dos moradores...

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    1. Li que existe desde 1920. Vai mesmo ser derrubada?

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    2. Sério? Vão derrubar mesmo? Mas a padaria é tão frequentada e tradicional no bairro! Na minha infância morei na mesma quadra, 4 casas pra frente. Não reconheço mais a rua Carneiro Lobo, praticamente só tem prédios e ficou completamente sombreada. Do jeito que andam derrubando casas, só ficarão as fotos como testemunho. É muito triste.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Não quero ser pessimista, mas acho que nem a árvore vai ficar...

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  5. Triste demais tudo isso. Estava comentando esses dias como estamos perdendo diversas casas historicas e ganhando prédios! Chega! Mais qualidade de vida para quem já vive na cidade e não mais prédios e carros. O Bom Retiro bairro residencial começa a ganhar predios também.

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    1. A gana do mercado imobiliário não tem fim. Se apática for a população, muito mais há de cair. O caminho é cobrar e cobrar legisladores e executivos municipais pela preservação da memória da cidade.

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  6. É, dificilmente a árvore ficará! Até mesmo as araucárias, ao contrário do que se pensa, não são intocáveis, pois se uma araucária estiver no caminho de algum projeto, o SMMA autoriza sim a derrubada.

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    1. Imagino que se a árvore se salvar, deve ser porque o arquiteto achou que ficaria legal no projeto. Quando você diz que o SMMA autoriza a derrubada de uma Araucaria é porque faz parte do procedimento ou porque o poder econômico faz mudar os procedimentos?
      Ainda bem que temos os Napoleoes plantando Araucárias no Jardim Ambiental.

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  7. Que triste!!! As memórias das cidades sendo apagadas em nome do "progresso"!!!!

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  8. Quando li a reportagem, não quis acreditar. Fui tomada por uma onda de saudosismo...
    Passando pela rua em junho do ano passado, comentei com minha irmã o quanto a arquitetura da casa havia chamado a minha atenção e, ao mesmo tempo, imaginei o quanto de histórias ali vividas, guardava em suas paredes...Não sou moradora de Curitiba, mas gosto imensamente da cidade, de tudo o que encanta e seduz a quem a visita! Fica agora, apenas o vazio... e nossos olhos vão se acostumando aos imensos prédios que fazem questão de esconder em suas sombras a luz do Sol...E nós, cada vez mais acostumados ao cinzento...

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    1. Temos que preservar o que define Curitiba como Curitiba, São Paulo como São Paulo e assim por diante, sob pena de um dia não termos mais o que as diferencie.

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  9. Isso é muito triste, ainda bem que seu blog é um exemplo de registro disso, em alguns casos atrelando a história, o que é muito bom, o que poderia virar um livro sobre certos estilos arquitetonicos da cidade. Infelizmente quanto a sociedade fazer pressão sobre a politica? Acho pouco provavel, sendo que o poderio economico/comercial sobrepuja a opinião popular que não é lá grande coisa numericamente se pensar a certas questões. Enfim, há muito que se debater.

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    1. Começo a chegar a uma triste constatação: cultura não dá votos! Me parece pouco provável conseguir dos nossos políticos algum tipo de engajamento em favor da memória e preservação do patrimônio da nossa cidade. Gostaria MUITO de estar enganado!

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  10. Conheci bem esta casa, fica numa rua onde passo sempre. Que pena que "acabou"

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