quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Pessoas comuns e incomuns de Curitiba 110






Numa nota do Jornal Metro li que o livro “Curitiba Rural - Aromas e Sabores” (Editora Esplendor, 2012),  do jornalista Eduardo Sganzerla, foi escolhido pelo Gourmand Wine Books Awards 2012, a melhor publicação do Brasil sobre “Cozinha Local”. A obra representará o Brasil no concurso Gourmand best in the world, categoria Best Local Cuisine Book, maior concurso do mundo que premia livros de gastronomia. Os vencedores serão anunciados no dia 23 de fevereiro de 2013, em Paris.
Logo fui procurar o livro e o encontrei na Livrarias Curitiba. A capa mostra o restaurante Nova Polska, um lugar que preciso conhecer o quanto antes, onde o livro foi lançado.
O livro é focado nos poucos, mas ainda resistentes produtores de alimentos de Curitiba e região metropolitana, que abastecem as nossas feiras com suas verduras, frutas, legumes e outros alimentos, e que há gerações garante a sobrevivência de suas famílias. O forte laço com o passado imigrante é revelado em cada história contada pelos protagonistas do livro. Todas são histórias de superação de famílias que por necessidade ou opção, resistiram ao crescimento da metrópole e da terra, de forma praticamente artesanal, tiram o seus sustento, mantendo tradições de décadas.
Logo no começo do livro, vejo a foto de um senhor que sempre vejo na primeira banca da feira que frequento semanalmente na Rua Alberto Boligher, trata-se do seu Agustinho Rigloski.
Seu Agustinho é um descendente de poloneses que praticamente aos 80 anos, todo sábado ainda enche a sua Kombi com a produção de seu quintal e a vende na banca que ele mesmo monta na feira. A variedade é pequena, mas a qualidade é inegável e o uso de agrotóxicos inexistente.
Muito simpático, fala de um tempo que morava na Colônia D. Pedro II, onde tinha a sua propriedade e de onde trazia seus produtos para vender em Curitiba, numa jornada feita com carroça que levava 3 horas para vir e outras 3 horas para voltar. Nessa época, 1966, a nossa Curitiba era bem mais tranquila, acolhedora e na Praça Rui Barbosa era onde a venda acontecia. Desde 1968 tem a sua própria banca nas feiras e a carroça foi substituída por caminhonetes.
Hoje mora no São Brás, é casado há 56 anos com dona Genoveva, criou cinco filhos e mantém a rotina da feira de sábado aparentemente pelo prazer de continuar a viver a sua vida de pequeno produtor e para encontrar os seus fregueses de décadas.
No livro, a receita de família que acompanha a história do seu Agustinho é a de Sopa de Batatinha (parece simples, gostosa e reconfortante). 

4 comentários:

  1. Que legal, Takeuchi; quero ler o livro e quem sabe ir ao restaurante, também.

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    1. Oi professora. Tenho certeza que ambas as experiências serão compensadoras!

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  2. a receita da sopa de batatinha está no livro? deu vontade! =)

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    1. Está sim, assim como muitas outras receitas de família. Hoje comprei as batatinhas do Seu Agustinho (todas sujas de terra) e fiz no estilo rústico (cozidas e depois fritas com a casca em cortes grandes).
      A receita do seu Agustinho para Sopa de Batatinha é a seguinte:
      2kg de batatas
      1 maço de cheiro verde
      1 broa de centeio
      2 litros de água
      Sal a gosto
      Descascar as batatas e cozinhá-las até ficarem macias. Amasse até obter um purê. Volte o purê na água do cozimento e misture até obter um caldo grosso e uniforme. Adicione o sal e o cheiro verde. Cozinhe mais um pouquinho e deguste com a broa de centeio!

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