segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A Residência Jaime Lerner


















No último sábado quase no final da visita dos Urban Sketchers de Curitiba à sua casa, Jaime Lerner desceu de seu apartamento para nos dar boas vindas e contar um pouco sobre a sua casa, à qual percebe-se pelo seu relato, ainda ama.

A casa foi projetada em 1962, iniciando as obras em 1963 e concluída em 1967. As duas árvores (uma corticeira e uma paineira) que dominam o terreno foram plantadas quando suas filhas ainda eram pequenas e hoje, do alto ambas escondem a casa. O amigo Popp nos disse que as árvores sobrevivem bem à companhia uma da outra porque elas perdem suas folhas em diferentes momentos do ano, garantindo insolação para ambas.

A família Lerner morou na casa até o segundo mandato de Jaime Lerner como governador. Ao final da conversa disse Lerner que tranquilamente ainda moraria na casa e que jamais a venderá, fazendo ela parte do instituto que leva o seu nome.

Todos que amam Curitiba e orgulha-se das qualidades que a fizeram admirada Brasil e mundo afora, não podem deixar de admirar esse grande urbanista e curitibano, que de forma muito generosa permitiu o acesso de um bando de fãs numa manhã de sábado.

Compartilho abaixo várias informações sobre a casa e obra obtidas do documento “Um Conceito em Concreto: Residência Jaime Lerner em Curitiba” de Juliana Harumi Suzuki.

Para saber mais, siga lendo.

O terreno, adquirido em 1962, era um lote estreito de 10 metros de largura por  aproximadamente, 37 metros de comprimento. A geometria trapezoidal era acompanhada por significativo declive em direção aos fundos do terreno.

O programa de necessidades da residência era bastante enxuto: sala, lavabo, dois quartos, banheiro, cozinha, despensa, área de serviços com quarto de empregada e banheiro, e um estúdio no pavimento superior. Não havia previsão de garagem de automóveis, dadas as dimensões reduzidas do lote. O projeto foi concebido em estrutura de concreto armado aparente, fechamentos em alvenaria convencional e esquadrias de madeira.

Característica notável do projeto é a cobertura em laje jardim. Questionado sobre o fato, Lerner afirmou que ela havia sido o ponto de partida para a decisão do sistema estrutura em concreto, e não o contrário, como seria de esperar. Antecipando em décadas um recurso muito empregado pela arquitetura contemporânea, a laje jardim determinou a modulação das vigas da cobertura, afastadas em 40 cm umas das outras, de modo a permitir que a terra pudesse preencher os vazios, sem risco de deslizamento.

A residência distribui-se em níveis, acompanhando o perfil natural do terreno. O acesso se dá por nível intermediário, onde se encontra o hall de entrada, que conduz à cozinha e às áreas de serviço, situadas em cota superior, e à sala e aos quartos, em níveis inferiores, em direção aos fundos do terreno. O ponto focal da sala é a lareira em concreto, detalhada pelo arquiteto Domingos Bongestabs, parceiro de trabalho de Lerner durante muitos anos. O calor gerado pela lareira, além de aquecer a sala, também contribuía para o aquecimento do quarto do casal, contíguo a ela. Nesse quarto, destacava-se a cama, uma plataforma de concreto aparente.
Ao lado do quarto do casal, encontra-se o segundo quarto, de reduzidas dimensões, das duas filhas. Em 1968, Lerner adquiriu o lote vizinho, nele projetando uma garagem para automóveis. O centro dos dois lotes era ocupado por duas árvores, cuja existência condicionou as transformações e ampliações sofridas pela casa em anos posteriores.

Com o crescimento das crianças, a casa tornou-se pequena – em 1979, Lerner adquiriu uma faixa de terreno ao lado e ao fundo do lote original, onde projetou seu novo dormitório, com banheiro e closet, deixando seu antigo quarto para uma das filhas. O estúdio, localizado em nível superior, abre-se para a sala através de janela interna, e permite privacidade ao ambiente de trabalho, mantendo, ao mesmo tempo, a conexão visual com os demais ambientes.

Em 2002, a família transferiu-se para outro imóvel e no ano seguinte, em 2003, a casa passou a sediar o Instituto Jaime Lerner e o escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados. Em 2008, para abrigar as novas funções, o antigo abrigo de autos transformou-se em espaço de trabalho, recebendo a seu lado um novo bloco, em estrutura metálica e vedação em vidro. A conexão entre a antiga residência e os novos espaços de trabalho é feita por circulação junto aos fundos do terreno, onde se encontra a “biblioteca-corredor”. Os ambientes da antiga residência foram convertidos em salas de trabalho e espaço de reuniões. As dependências de serviços foram ampliadas e abrigam copa e cozinha, com mesas em torno das quais, não raro, os membros da equipe de arquitetos se reúnem para fazer pequenas refeições e, muitas vezes, desenhar e projetar.

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