quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O abandono da Biblioteca Franco Giglio




Durante nossa XXIV Caminhada Observacional pelo Seminário/Campina do Siqueira, passamos por esse prédio fechado, de arquitetura muito interessante, que descobrimos ser a Biblioteca Franco Giglio, fundada em 12 de outubro de 1982 durante a gestão do Prefeito Jaime Lerner.

Encontrei no site "Bibliotecas do Brasil" uma nota informando que "o dia 25 de janeiro de 2016 marcou o 5º ano de fechamento da Casa da Leitura Franco Giglio ao público. Há 5 anos uma notinha no site da Fundação Cultural de Curitiba informou que a biblioteca pública municipal 'permanecerá temporariamente fechada a partir desta terça-feira (25) para reformas'. Desde então a biblioteca já passou pela administração de 2 prefeitos (Luciano Ducci e Gustavo Fruet) nessas condições de abandono, de portas fechadas ao público e de indefinição sobre possíveis reformas e reabertura."

Nesse mesmo site, há um relato extraído de outro blog, Olhar Comum, onde uma moradora e frequentadora desde a infância da Biblioteca Franco Giglio dá um relato comovente do quanto essa biblioteca foi importante para ela, seus irmãos e outras crianças do bairro e do quanto a administração da cidade já foi mais HUMANA e INTELIGENTE.

Segue abaixo o relato.

"Eu, meus irmãos e a criançada do bairro fomos atraídos na década de 80 para lá; era o nosso ponto de encontro, além de ser, sem dúvida alguma o lugar mais divertido do bairro. Era também o espaço em que os pais sentiam-se seguros, pois das 9 às 18h tínhamos atividades. O dia inteiro e gratuitamente. Da tradicional hora do conto às aulas de flauta doce, formação de bandinha, aulas de artesanato, teatro, até as inesquecíveis aulas de história da arte ofertadas pela Rose Giglio, viúva do pintor italiano que dá nome à biblioteca. 

Eu e minha irmã fomos as primeiras cadastradas e tínhamos as carteirinhas 01 e 02. Frequentamos desde o início, tanto no período escolar como nas férias e foi neste lugar que a minha curiosidade e gosto pela arte e cultura foram despertados. Foi também aí que eu fiz novos amigos e percebi o quanto a leitura era um mundo gostoso de viver. 

Logo após a inauguração, as bibliotecárias foram de casa em casa convidar os moradores do bairro a conhecer o espaço. Depois, quando uma multidão de crianças já a frequentava (sem exagero, era uma multidão!), fomos nós que batemos de porta em porta para arrecadar livros e revistas para a biblioteca. Eu tinha nove anos e vivia aquele sentimento gostoso de pertencimento, de fazer parte. Era assim a Franco Giglio. (Ana Carolina Caldas)."

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