quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Zequinha e as (eternas) crianças














O ano era 1979, eu estudava no Colégio Estadual Rio Branco no Batel, uma febre tomava conta do colégio e da cidade: as figurinhas do Zequinha!!

Com o intuito de aumentar a arrecadação de ICMS, foi lançado durante o governo do então Gov. Ney Braga, uma campanha (ICM das Crianças) que permitia a troca das primeiras vias de notas fiscais por pacotinhos de figurinhas com o famoso Palhaço Zequinha, que de 1929 à 1967 eram encontradas em várias edições nas Balas Zequinha. 

Cada Cr$ 1.000,00 dava direito a um pacote com 20 figurinhas. Na primeira troca, você ganhava o álbum e uma carteira do Clube do Zequinha.  Uma vez completado o álbum e constatado o fato num dos postos de troca, esse dava direito a um prêmio e um cupom para concorrer a um sorteio. Idem valia para quem encontrasse uma figurinha carimbada.

Esse novo Zequinha, diferente daquele das balinhas, era sempre certinho (à exceção da figurinha dele enterrado na areia olhando uma garota de biquini). Na época da balinha o Zequinha aparecia enforcado, como ladrão, suicidando-se, embriagado e os desenho eram bem mais toscos.

O Zequinha de 79 aparecia fazendo coisas do cotidiano (escovando os dentes), nas artes (como fotógrafo), no governo (visitando a Telepar), em festas típicas e momentos da história do paraná, com os imigrantes, circulando pelas atrações turísticas, fazendo propaganda do governo visitando grandes obras públicas e outras atividades bacanas. 

A promoção mexeu com a cidade! Todos ficavam loucos por notas fiscais e as figurinhas faziam a festa da piazada nas escolas, seja para troca das repetidas ou nos jogos de bafo. 

Jamais consegui completar esse primeiro álbum, porque não fazíamos tantas compras assim e porque existia a famosa Zequinha Número 10! Era tão difícil que virou adjetivo na época (uma pessoa complicada, ou seja, difícil era apelidado de Zequinha 10).

Depois houve uma segunda fase, com figurinhas menores e sem essa da figurinha difícil. Nem lembro muito bem como eram as figurinhas. O que marcou mesmo foi aquele lançado em setembro de 1979.

O amigo Fabiano Vianna, dono do álbum que aqui apresento completinho, me proporcionou essa volta no tempo, um tempo muito mais simples, tranquilo e divertido.

À todas as crianças (crescidas ou não), FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!


4 comentários:

  1. Meu amigo Washington Takeuchi fotografou meu álbum do Zequinha - o único que completei na vida hehehe - com a ajuda de minha mãe Walny Vianna. Querido Zequinha. Bela evocação no Dia das Crianças! Gosto dele até hoje. Para mim, é um signo urbano muito potente, que usualmente utilizo em meus desenhos urbanos. O palhaço - representação nostálgica de um andarilho flâneur que caminha pelos pontos turísticos da cidade, provando seus prazeres. Ora encarnando um mero observador voyeur, ora entidade invisível aos olhos do cotidiano. O signo que é repetido e encenado repetidamente, como uma história que é contada diversas vezes, mas com pequenas mudanças em cada versão. Pura linguagem gráfica e pictórica.
    O Zequinha somos nós.
    Quando o desenho, sinto-me homenageando os escritores e artistas da cidade. Todos, que de certa forma, eternizaram ou se inspiraram em personagens urbanos para suas narrativas. Dalton Trevisan, Valêncio Xavier, Karam, Luiz Felipe Leprevost, Diego Fortes, Luís Henrique Pellanda.
    E também minha mãe, claro, que comprou e colou comigo (ainda eram coladas com cola mesmo) as figurinhas no auge da moda lá pelo ano de 1979.
    Dedico meus desenhos do desenho Zequinha a todos os palhaços, andarilhos, cronistas, desenhistas e artistas de rua. Aos funcionários da firma "Irmãos Sobania" e da "Impressora Paranaense" - que mesmo sem saber nada de desenho, desenhavam as figurinhas da bala, as vezes com desenhos toscos, e contribuíram com certeza para definir a personalidade desde personagem que se tornou muito curitibano e querido!
    A meu tio Lúcio que encenou por tanto tempo o palhaço Guabiroba, no Circo dos Queirolos e tantos outros palhaços inesquecíveis. Xique-xique, Lafayette, Gorgonzola, Gafanhoto...
    Zequinha é como aquele anjo do filme "Asas do Desejo", do Wim Wenders. Onipresente, caminhando entre nós, sem ser visto. Escutando os papos entre as paredes, observando pelos buracos das fechaduras.

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  2. Bela evocação. Na 'turma dos Queirolo', faltou o Zoca (& Zuca). De longa participação no 'Cirquinho Canal 6'. E a empresa 'Gabardo & Massuchetto' e depois apenas 'Irmãos Gabardo', dos últimos tempos das Balas Zequinha originais. Esta empresa ficava na curva da av. Munhoz da Rocha - onde hoje há um prédio azul (ex-morada de Jaime Lerner). Trabalhei na região, no início dos anos 1960 (meu 1º emprego) e ia comprar as balas, direto na fábrica. Também daquela 'carteirinha', feita de um pedaço de papelão e duas tirinhas de pano; 'armazenavam' as figurinhas, entre uma e outra 'disputa no bafo'.

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