sábado, 23 de setembro de 2017

Casa Frederico Kirchgässner - parte 2













Muito antes da criação dos cursos de arquitetura na nossa cidade e antes da arquitetura modernista predominar a partir da década de 1950 no Brasil, a casa Frederico Kirgässner de 1930 é o primeiro registro do modernismo em Curitiba, sendo um exemplar isolado, ombreando em pioneirismo à nomes como Gregori Warchavchik, Lucio Costa, Flavio de Carvalho, Luis Nunes e outros.

Diferente desses últimos porém, Kirchgässner projetou as suas casas para moradores específicos, ele próprio e seu irmão, para uso urbano, sem preocupação em ser um modelo a ser reproduzido.

Poeta, pintor, arquiteto, construtor, urbanista, agrimensor, Frederico Kirchgässner, nascido em Karlsrube, Alemanha, foi trazido para o Brasil com seus pais e registrado como nascido em 12 de abril de 1899 em Ibirama, Santa Catarina.

Frederico, Anna, Frieda, Elisabeth e Bernardo, filhos de Hugo Kirchgässner e Anna Schmidt, desembarcaram em São Francisco do Sul –SC em 1906 vindos do porto de Bremsn, na Alemanha. Passaram por várias localidades até instalarem-se em Curitiba.

Frederico e Bernardo estudaram na Deutcheknabeuschule do Colégio Bom Jesus. Mais tarde em 1916, seu tio, reitor da Escola Feminina de Baden Baden, ao receber seus desenhos, passou a incentivá-lo a estudar artes e arquitetura na Alemanha. Porém a primeira guerra postergou esse plano.

Em 1921 faz sua primeira viagem para a Europa, onde faz contato com intelectuais vanguardistas. De volta ao Brasil, inicia seu curso de arquitetura por correspondência Architectktur System Karnack Hachfeld de Potsdam e de belas artes na Deutche Kunstschulle de Berlim.

Na sua segunda viagem à Alemanha, realiza suas provas finais e obtém os diplomas em 1929. Nessa viagem conhece sua prima Hilda, com quem se casa em Baden Baden em 04/09/1929 e retorna à Curitiba.

Kirchgässner começou a trabalhar na Prefeitura de Curitiba, como desenhista, em 25 de junho de 1916, inicialmente como  topógrafo e mais tarde, contribuindo com o urbanismo da cidade, permanecendo no Departamento de Urbanismo até se aposentar.

Em 1930, construiria a sua própria casa onde a 13 de Maio, Jaime Reis e Portugal se encontram, que hoje é tombada pelo estado. Considerada uma obra prima técnica e estética, sofisticada e ousada para época, cujo mobiliário em grande parte é de sua autoria.

Olhando a casa numa dimensão experimental em residência unifamiliar, essa alinha-se na América Latina às casas de Diego Rivera e Frida Khalo  no México, as de Warchavchik em São Paulo e as de Alberto Prebisch em Buenos Aires.

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