segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O Casarão Scandelari





"“Nina, não deixe as paredes caírem”. Angela, chamada por todos de Nina, já tinha entendido o recado de seu pai, João Scandelari, mas ele continuava repetindo o alerta. Até que ela acordou. Aquilo não passara de um sonho — seu pai havia falecido semanas antes. Após sua morte, o terreno de 24 alqueires em que o imigrante italiano construiu seu casarão no Barreirinha, em Curitiba, foi dividido em lotes para seus herdeiros. Cada um iria vender a sua parte, inclusive a que comportava a casa, que seria demolida pelo novo proprietário. Mas depois do sonho, justamente na noite que antecedeu a venda, Nina tomou uma decisão: iria ficar com o lote do casarão e preservar o imóvel que representava a história de sua família na capital paranaense.

Décadas se passaram após o sonho de Nina, e o casarão da família Scandelari continua intacto na Avenida Anita Garibaldi. Do endereço mudou apenas o número ao longo do tempo: de 5054 para 5094. O imóvel, que é hoje uma unidade de interesse e preservação da cidade, foi construído por volta de 1883, data que foi encontrada gravada em uma viga do sótão. O aspecto externo permanece fiel à concepção original. De acordo com estudos de preservação realizados em 1978 pela Casa Romário Martins, da Fundação Cultural de Curitiba, o próprio João Scandelari construiu a casa com a ajuda de mais dois homens. Daquele imóvel fez o lar de sua família e fonte de renda: na entrada criou a Casa Scandelari, armazém de secos e molhados que existiu até o início da década de 1970."

Trecho extraído da matéria por "Stephanie D’Ornelas", para o Caderno Haus da Gazeta do Povo. Leia mais aqui. Copyright © 2018, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

A matéria da Gazeta foi o motivo que levou o USK Curitiba à Barreirinha no último sábado para registrar esse belo casarão na avenida Anita Garibaldi, que naquele trecho é perigosa pela velocidade dos carros em ambas as direções.

3 comentários:

  1. Boa noite!
    Receio que uma das informações postadas possa estar em desacordo com a história real da família. Meu bisavô Januário Scandelari, irmão do João, de Alexandre, da Ester/Estela, filhos de Luigi e Angela Frentin, veio de San Martino di Lupari - Itália, com dois anos de idade. Como ele nasceu em 1887 (o que seus documentos comprovam) é impossível que João tenha participado da sua construção, se ela houver ocorrido em 1883 (a data encontrada numa viga de madeira da casa, conforme o artigo acima). Há registros que comprovam também as informações sobre a vinda da família Scandelari ao Brasil (o nome do navio, idade dos passageiros, de onde vieram e seus nomes). Talvez possamos saber mais sobre nossa história compartilhando mais e mais informações! Meu tio-avô Luiz Scandelari publicou alguns livros contando a história baseada em alguns documentos, naquilo que seu pai Januário contava e naquilo que viveu! Eu registro aqui minha dúvida também baseada no que minha mãe Ieda, minha avó Albertina e meu avô Agenor, além do próprio "vô Naio", como carinhosamente o chamávamos, nos contava! Vale uma pesquisa mais aprofundada sobre a história do Casarão! Belíssimo, por sinal! Parabéns pela iniciativa, prima Ângela!

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  2. Muito bom seu resgate Bénie.... mas também muito boa reportagem fazendo o resgate histórico da família.. ...

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