domingo, 25 de agosto de 2013

O Cassino e a Divina Providência do Ahú




Ontem a nossa décima segunda edição do Grupo de Caminhadas Observacionais passou pelo bairro do Ahú. Inevitável que passássemos pelo Colégio Divina Providência, escola administrada por freiras que hoje faz parte do Grupo Bom Jesus, mas que antes de ser um local para estudos e vivência religiosa, abrigava um outro estabelecimento dedicado a, digamos assim, um lado mais mundano da vida. Lá funcionou de 1939 até 1946 o Cassino Ahú.
Local de jogatina e muita festa (onde teoricamente mulheres desacompanhadas e estudantes não eram exatamente bem-vindos), a última apresentação do cassino ocorreu em 30 de abril de 1946, atendendo à proibição dos jogos de azar, decretada pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra. Depois disso, o cassino nunca mais abriu.  Segundo a jornalista Pollianna Milan em matéria publicada na Gazeta do Povo em 23/01/2010, “estiveram presentes, nesta última noite, Nelly Ferri, cantora internacional de Buenos Aires; o Garoto, homem que era o maior solista de instrumentos de cordas da América do Sul; e “Betty and Newton”, a dupla de bailarinos mais jovem do Brasil. Depois daquele dia, o destino da antiga casa de jogo seria se tornar casa de oração.”
Em 1957 as religiosas da Divina Providência receberam do padre Valério Alberton o convite para conhecer o já fechado Cassino Ahú, na intenção de transformá-lo (ou seria convertê-lo?) em convento e escola. Uma idéia que pode ter parecido na época extravagante, mas que funcionou e assim é até hoje!
Logo que finalizamos a nossa passagem pelo (hoje) Colégio Divina Providência, não pude deixar de notar na rua de acesso ao colégio, uma bela casa em madeira com lambrequins, onde no terreno uma infinidade de objetos estavam acomodados. Um senhor estava no portão e à ele pedi autorização para fotografar a casa (que mostrarei em outro post). Lá, além da casa, no meio de um mar de coisas garimpadas por ele, fui apresentado à placa que indicava estarmos no cassino. Um verdadeiro achado.
Também pelo caminho, na parte de trás do colégio, passamos por uma grande casa abandonada com suas janelas e portas lacradas com concreto. Uma moradora antiga do local disse que ali, as mocinhas desacompanhadas que teoricamente não eram bem-vindas ao cassino, recebiam os distintos cavalheiros que desejavam continuar a festa lá iniciada (essa informação não tenho como confirmar, mas coloco assim mesmo por deixar o post mais divertido)!
Histórias de Curitiba que vivemos ao vivo!
Para um pouco mais sobre o assunto, acessem a matéria da Gazeta do Povo nesse link.

2 comentários:

  1. Estive em Curitiba em 1963 , e tenho uma foto bem na porta de entrado do antigo Cassino. Estavamos entre 40 estudantes. O guia nos disse que tinham fechado por causa de um crime. Deve ser lenda!

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    1. Que interessante Cydoka. Se quiser compartilhar a foto, terei grande prazer em publicar aqui no blog. Abraço.

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