sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Horizontes Perdidos - final

Sem maiores explicações, seu braço foi enroscado no dela e ele foi puxado numa corrida frenética por ruas e vielas. Chegaram enfim diante de uma porta. Subiram as escadas e logo chegaram ao quarto, onde pelo resto do dia, amou como nunca antes. O tempo passava magicamente e os dias, radiantes, proporcionavam-lhe seguidos momentos de pura e plena felicidade e uma grande sensação de completude.  Sua vida passou a ter um significado infinitamente superior e já não se recordava ou se importava com o que vivera (ou não vivera) até ali.
Ele não saberia dizer quanto tempo já havia se passado (dias? meses?), até que naquela manhã acordou pensando no que tinha deixado para trás e que de alguma forma, precisaria voltar para dar um fechamento na vida que vivera em Curitiba e para pelo menos dizer que tinha finalmente encontrado um significado para sua existência e que dali para frente, deveriam (família e colegas) esquecê-lo. Conversou mais tarde sobre isso com ela, mas percebeu que esse se tornara o único assunto que a deixava visivelmente triste (mas ainda assim linda), por isso silenciou.
Levantou-se mais cedo que de costume, tendo os primeiros raios de sol recém tocado as cortinas do quarto. Vestiu-se, beijou-a de leve, abriu a porta sem fazer barulho e se foi a caminhar. O sol já estava se pondo quando chegou finalmente ao portal, seu primeiro contato com esse lugar. Abriu e da mesma forma como da primeira vez, percebeu uma mudança drástica de ambiente. Um frio na espinha e na pele tomou conta dele. Mesmo assim, passou o portal e o fechou atrás de si. 
Diante dele, uma névoa densa tomava conta da via, tão densa que parecia poder ser cortada com uma faca. Seguiu andando e depois de um tempo, para sua surpresa, percebeu que pisava em petit-pavés. Mais à frente, para seu horror, viu que estava na rua Saldanha Marinho e diante de si, a Catedral! Sentiu seu corpo pesar, curvar-se. Olhou suas mãos e essas já não pareciam mais as suas de tão enrugadas que estavam. Caminhou com dificuldade até a Praça Tiradentes, que já não mais reconhecia. Os prédios eram outros, muito modernos. Carros de um estilo que nunca vira antes zuniam a seu lado! 
Totalmente atordoado segue caminhando. Pára quase na esquina da rua do Rosário com a Cruz Machado. Levanta os olhos. A Mercearia Viana já não existe mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que achou desse post? Seu comentário é muito bem-vindo.