terça-feira, 7 de março de 2017

Era uma casa muito engraçada ...







Era Uma Casa Muito Engraçada...

Que tinha teto, porta, janela e tudo que uma casa deve ter. Só que nesta, as paredes rangiam e a casa pulava junto com a criança que brincava.

E tinha um porão, que escondia todos os mistérios do mundo. E também tinha três Araucárias gigantes, que poderiam ser o baobá do Pequeno Príncipe ou o pé de feijão do Joãozinho.

Mas o mais curioso, é que essa era a única casa do mundo que já mudara de endereço!

O sopro dessa casa ainda está de pé, mas eu conto a história dela no passado porque ela faz parte das minhas memórias de infância. Foi meu Sítio do Pica Pau Amarelo. E por ela corri e brinquei com todo o imaginário de Monteiro Lobato.

Nessa casa tanta gente morou! Muita gente! Eu não!

Nela só dormi algumas noites, rodeada de gatos. Era quando a casa falava, em estalos e gemidos, como toda casa de madeira. Mas eu não tinha medo, porque a casa me protegia da escuridão da noite.

E lá o dia era mais dia, mas a noite era mais noite!

E enquanto eu nasci e crescia sempre na casa de tijolos não muito longe dali, aquela casa aventureira já tinha feito as malas e mudado de endereço.

Escolheu um lugar tranquilo, lá para os lados de um santo chamado Inácio para plantar suas Araucárias gigantes e abrigar todos os sonhos de infância.

E hoje, já com seus pra lá de setenta anos, abriga os cupins e suspira suas últimas histórias.

Texto: Luciana Maga

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