sábado, 17 de fevereiro de 2018

A Capela Nossa Senhora da Glória em restauro





















A década de 1880 marcou grandes transformações no cenário urbano de Curitiba devido a mobilidade obtida com a construção da Estrada da Graciosa, a revolução industrial, a prosperidade gerada pelo comércio de erva-mate e de madeira além da chegada dos imigrantes europeus. Toda essa prosperidade foi refletida nas construções deste período.

As residências e engenhos dos "barões do mate" foram construídas onde hoje são o bairro do Alto da Glória e o Batel. A família Leão e Fontana se fixou no Alto da Glória.

Quando os filhos do casal Desembargador Ermelino de Leão e Maria Bárbara ainda eram crianças a família mudou-se para a chácara que pertenceu ao barão de Holesben. A nova residência localizava-se no atalho da Graciosa, em uma região alta e por isso o Desembargador passou a chamar o local de Alto da Glória.

A residência da família Leão ficava próxima ao Passeio Público, cujas melhorias causadas pela sua construção se estende ao seu entorno. A via em frente a casa da família Leão passa a chamar-se "Boulevard 2 de Julho", atual Avenida João Gualberto.

Em 1895 foi lançada a pedra fundamental da construção da Capela Nossa Senhora da Glória, mandada construir pelo Desembargador Ermelino de Leão para sua filha Maria Dolores Leão da Veiga, casada em segundas núpcias com Bernardo da Veiga.

Em 1896 foi construída a residência de Bernardo da Veiga ao lado da capela e poucos anos depois o requintado Palacete Leão Júnior à frente. A construção da nova capela era desejo de Maria Dolores para que sua família e dos operários dos engenhos (Leão e Fontana) pudessem praticar o catolicismo.

A capela foi projetada e construída pelo italiano Antônio Dallegrave juntamente com outros de seus compatriotas a pedido do Desembargador.

Maria Dolores mandou vir da Europa as imagens de Nossa Senhora da Glória, Santo Agostinho e Santa Efigênia, além de castiçais de prata, um crucifixo, um cálice de ouro e uma patena.

Em 25 de novembro de 1896 foi benta a capela com missa celebrada pelo Bispo Dom José de Camargo Barros. O primeiro casamento realizado na capela foi de João Dallegrave e Amélia Chatagnier. Os três filhos de Maria Dolores assim como todos os descendentes da família Leão foram batizados na capela.

Em 28 de agosto de 1960 é instalada na capela a Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro pelo Arcebispo de Curitiba - D. Manoel da Silveira D'Elboux, sendo assim a paróquia cedida pelas famílias Leão e Veiga para uso dos Missionários Redentoristas.

Após a instalação da paróquia começaram a serem realizadas as novenas de quartas-feiras em honra a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. As novenas tornaram-se tão frequentadas pelos fiéis que muitos ficavam para fora da construção, muitas vezes ocupando inclusive a Av. João Gualberto.

Como a igreja ficou pequena para atender o grande número de fiéis o arcebipo pediu o terreno da capela para as famílias herdeiras visando a construção de uma nova igreja. O pedido foi felizmente negado pelas famílias o que salvou a capela de ser demolida. No ano de 1969 a prefeitura juntamente com a Colônia Portuguesa permite que seja construída na Praça Portuga, em frente ao estádio Couto Pereira, a nova igreja.

Com a morte de Maria Dolores da Veiga Leão, sua filha, Maria Dolores da Veiga (D. Lolita) passa a cuidar do templo e após a sua morte os cuidados passaram para sua nora Jandira França de Leão.

Atualmente o edifício é de propriedade da Mitra da Arquidiocese de Curitiba e é considerado uma UIEP - Unidade de Interesse Especial de Preservação do município de Curitiba.

O estilo arquitetônico utilizado na construção da Capela Nossa Senhora da Glória foi o eclético com o predomínio do neo-clássico, isto é, foram utilizados elementos e formas do estilo clássico europeu.

Os principais elementos utilizados do estilo clássico foram os arcos plenos nas janelas, o forro composto por abóbada com arco abadido, e o frontão e portal de acesso triangular e com arco pleno. O ecletismo aparece nos elementos de argamassa imitando lambrequins que acompanham a inclinação da fachada.

A construção original era apenas o que hoje é a nave da capela. Nas fotos antigas pode-se ver que o sino inicialmente ficava na fachada frontal. Fotos posteriores mostram que foi construída uma torre onde foi colocado o sino, que foi removido da fachada junto com o elemento que o sustentava. No local onde havia o sino foi colocada uma estátua com uma cruz.

Não se tem certeza se o presbitério e a sacristia foram construídos juntos, mas existe amarração dos tijolos da alvenaria do presbitério e da sacristia o que nos leva a acreditar que foram construídos na mesma época.

Dado ao seu grande valor histórico e valendo-se da condição de Unidade Especial de Interesse de Preservação, a Capela Nossa Senhora da Glória está em processo de restauro à cargo da Prefeitura Municipal de Curitiba, cujos custos estão sendo bancados pela venda de potencial construtivo.

A empresa G Arquitetura está executando o restauro e graças à amiga Giceli Portela, tive a grata oportunidade de poder fotografar a fase do restauro da capela que apresento nas fotos de hoje.

Também graças à Giceli, as informações preciosas que acompanham as fotos de hoje foram obtidas de um documento intitulado "Projeto de Restauro da Capela Nossa Senhora da Glória - Volume 1 - Objeto/Inventário/Descrição", elaborado em dezembro de 2014 pela equipe de arquitetos Aline Soczek Bandil e José Pedro da Silva.

Conversando com uma pessoa na obra, soube que a intenção é de entregar à Mitra e à comunidade a capela devidamente restaurada no dia do aniversário de Curitiba. Espero que o tempo ajude e que a obra fique pronta em tempo.

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