sábado, 24 de fevereiro de 2018

Era uma vez uma casa amarela no Alto da XV




Morei alguns anos no Alto da XV na rua Sete de Abril. Na esquina do prédio onde morávamos se destacava uma casinha de madeira num amarelo canário visível do espaço com seus lambrequins azuis.

A casinha de madeira ficava abaixo do nível da calçada, cercada por um muro que tinha a função de proteger a casa de carros que poderiam invadir a propriedade.  Mas o que mais chamava a atenção era uma placa onde se lia: "Abílio O Alfaiate", assim mesmo com um "O" maiúsculo a destacar que ali não trabalhava um alfaiate qualquer, mas um senhor alfaiate.

Nunca entrei na alfaiataria do seu Abílio, mas a casinha amarela fazia parte da paisagem do lugar que já foi meu lar. Recentemente à caminho de casa pela rua Fernando Amaro, na esquina com a Sete de Abril notei que a casinha amarela estava em transformação. Seus lambrequins desapareceram, a madeira estava sendo substituída e a casinha ganhou um novo pavimento.

Creio que foi meu filho ou minha nora, que moram no apartamento da Sete de Abril, quem me contou que Abílio "O" Alfaiate teria falecido. Procurei na internet alguma referência sobre ele, mas não encontrei. Encontrei uma matéria na Gazeta do Povo na qual se referia a um alfaiate de nome Abílio que já tinha mais de 80 anos de idade e mais de 60 como alfaiate. Sei que pelo menos por mais de 20 anos, que é o tempo que passei por ali vendo a casinha amarela, Abílio O Alfaiate vestiu seus clientes.

Além das fotos da casinha amarela e como ela está enquanto está em reforma, publico o desenho de uma amigo, Raro de Oliveira, que desenhou a casinha de madeira amarela e sua vizinha (que ainda existe) no início de 2016.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que achou desse post? Seu comentário é muito bem-vindo.