terça-feira, 19 de abril de 2011

As quase casas de madeira de Curitiba







Desde que comecei com essa aventura de manter um blog dedicado a Curitiba, com o compromisso de diariamente publicar uma imagem da cidade e em razão disso, passando a olhar atentamente a cidade por onde quer que eu circulasse, percebi alguns tipos de casas que me deixaram intrigado. Trata-se de casas basicamente de madeira, mas que no limite frontal do terreno, são feitas em alvenaria ocupando toda a extensão do lote. Como não são raras e estão espalhadas por toda cidade (ou seja, não é uma característica de um bairro), sempre achei que deveria existir uma explicação para essas casas.
Estou lendo um livro intitulado “Espirais de Madeira – uma história da arquitetura de Curitiba” (Autor: Irã Taborda Dudeque; Editora Nobel), importantíssimo para quem se interessa por arquitetura e gostaria de entender um pouco a “cara” que Curitiba tem.
No capítulo intitulado “a invenção de um vernáculo” encontrei a explicação para essas casas. No início do século XX a abundância de madeira e de serrarias em Curitiba fez com que o preço da madeira fosse muito baixo e dessa forma, o uso da madeira deveria ser evitada pelos mais abastados e era assim, associada a pessoas pobres, associação que perdurou por muito tempo. Para dificultar a construção de casas em madeira, o código de posturas de 1919 definiu que Curitiba seria dividida em 3 círculos concêntricos. No primeiro círculo todas as casas deveriam ser em alvenaria, edificadas no alinhamento frontal do terreno e com alturas idênticas. Muitas casas em madeira foram toleradas, desde que ocultadas atrás de fachadas em alvenaria (eis a explicação). No segundo círculo, as casas em madeira seriam toleradas, desde que pintadas a óleo, não tivessem mais de um pavimento e o recuo frontal fosse no mínimo de 10 m e os laterais de 2 m. No terceiro círculo, as casas de madeira seguiriam as mesmas regras, mas poeriam ser pintadas de cal.

6 comentários:

  1. Vejo que você fica entusiasmado, como eu, ao descobrir as curiosidades da cidade. Muito interessante mesmo!
    Outro dia fui até o Beto Batata com o propósito de fotografar a entrada, já que pretendo fazer um post sobre ele. Olho daqui, olho dali, mas acho essa entrada tão... como diria... simples, sem nome, sem identidade... que não fotografei. Agora me deparo com a sua foto.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  2. Takeuchi,
    eu nasci nesse tempo - já no final dele, para falar a verdade - em que a madeira era tão barata e abundante, que para construir bastava ir até o final da rua e cortar uns pinheiros (exagerando um pouco); e nasci a caráter, em casa pobre de madeira de empregado pobre de uma serraria, no pátio mesmo da serraria, em Ponta Grossa. Até poucos anos atrás essa casa ainda existia; agora, até onde posso ver no Google, não existe mais. Tenho uma foto dela; um dia desses, quando achar, posto no meu blog.
    Lembro que meu pai, quando queria dizer que uma casa era boa - para os nossos padrões - dizia: "frente de material!". Ele mesmo chegou a construir uma dessas em Ponta Grossa, que se não me engano ainda existe.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  3. OI GIna. Nesse mesmo livro, o autor mostra evidencias de que oa lambrequins não são, como forçaram na época, algo exclusivo da imigração polonesa. É outra bela história da nossa cidade.

    Oi Ayde. Você morou numa serraria? Que fantástico! Então você também sabe o que é morar numa casa de madeira. Lembro que pequeno, eu ficava olhando cada tábua não pintada da minha casa e parecia que em cada uma delas eu via imagens e criava histórias.

    ResponderExcluir
  4. Olá...muito interessante essa história das casas mistas, gostei e são lindas, também morei em casa de madeira em frente a uma serraria e conheci muitas casas de pessoas conhecidas que tinham casas só a frente de alvenaria e é bem isso que vc falou ao valorizar a casa se dizia a frente é de alvenaria, mas precisamente de (material)...

    ResponderExcluir
  5. Vou procurar esse livro, obrigada pela dica, sempre fui fascinada pela arquitetura da cidade e essas casas com a fachada de alvenaria tb me intrigavam.

    ResponderExcluir
  6. Acabei de ler o livro ontem (são mais de 400 páginas de muita informação) e vale o peso dele!

    ResponderExcluir

O que achou desse post? Seu comentário é muito bem-vindo.