domingo, 17 de julho de 2011

Marcha das Vadias em Curitiba - Manifesto e Concentração



















O nome certamente causou/causa estranhamento em muita gente e imagino, as organizadoras do evento, devem ter passado um bom tempo explicando o nome. Nome ousado, pessoas ousadas e bons motivos para irem as ruas, ontem aconteceu uma manifestação que tempos atrás seria impensável na fria e recatada Curitiba: a Marcha das Vadias.

Através da internet (Facebook e Blog) um grupo de amigas levantou essa bandeira e conseguiu reunir na tarde de ontem, mais de 500 pessoas que percorreram um trecho que ia do Passeio Público até a Boca Maldita. Principalmente mulheres, mas também homens e crianças acompanharam a marcha, que foi tranqüila (apesar dos buzinas nos cruzamentos parados) e protegida pela policia.

Como foram muitas fotos, resolvi separar em mais de um post. Hoje postarei o manifesto e a concentração antes da marcha que aconteceu ao lado do tubo do Passeio Público.

Segue o manifesto da marcha:

O Movimento Slutwalk surgiu no Canadá, no início de 2011, e ganhou o mundo levantando a bandeira contra a culpa da mulher em casos de agressão sexual.
Em Curitiba, a organização da Marcha tem gerado calorosos debates. Muitos jovens, mães de família, políticos, têm expressado a compreensão da urgência em se realizar um ato a favor do RESPEITO. O respeito ao outro, personalizado na mulher, na criança - em todas as vítimas de agressão que todos os dias são atendidas em delegacias e hospitais. O respeito à todas as vítimas anônimas, humilhadas, abandonadas e destruídas. Infelizmente a civilidade curitibana não afastou esse fantasma e não podemos mais ser coniventes com todas as formas de desrespeito que presenciamos todos os dias.
Por isso queremos todas as bandeiras na nossa marcha!
* A bandeira da luta contra a violência sexual, a submissão, a exploração do corpo da mulher. A luta contra o conservadorismo que nos diz que, se não quisermos ser estupradas, não devemos provocar.
* A luta contra o moralismo, que nos diz que não podemos usufruir de nossa sexualidade, sensualidade e beleza. Contra o machismo que impede que a mulher seja livre e impõe que seja apenas um objeto.
* O feminismo, renovado, que acolhe as mulheres e orienta na melhor forma de exercer a feminilidade, com força, determinação e respeito.
* A cidadania, que busca a criação de políticas públicas efetivas de proteção aos direitos da mulher, que puna agressores e estupradores.
* O fim do preconceito contra os grupos LGBT, pelo respeito às diferentes formas de orientação sexual.
* A assistência às prostitutas, maiores vítimas de violência e agressão sexual, pelo reconhecimento profissional e por uma condição mais digna, sem exploração.
* O apoio às mulheres agredidas, que tenham a segurança de que o Estado irá defendê-las de seus agressores.
Acompanhamos as discussões acerca da dificuldade de ressignificar um termo tão carregado de preconceito, como VADIA, e consideramos que é urgente que todos os nomes pejorativos como puta, biscate, vagabunda, piranha, “mulher fácil” sejam reapropriados e que a discussão sobre a sexualidade feminina, e tudo o que ela representa, seja pauta política e social.
Se você também não concorda com uma sociedade que aplaude piadas sobre estupro, que segue lideranças que afirmam que, se a mulher foi estuprada, é porque de alguma forma ela consentiu, que banaliza a agressão física, moral e sexual, marche com a gente.
Diga não à violência!

4 comentários:

  1. Curitiba não merecia uma vergonha dessas

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  2. Curitiba e nenhuma cidade do mundo não merece que mulheres sejam tão banalizadas como objetos, temos que ser respeitadas sim na nossa liberdade, e lógico que nós mesmas temos que nos respeitar primeiro...não só os políticos deveriam olhar com mais carinho nas leis que só condenam as vítimas, mas nós também temos que fazer a nossa parte, nos dando respeito...

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  3. Creio que o objetivo da marcha foi chamar a atenção para um problema que vai muito além das roupas ou do nome da marcha. A cada 24 segundos, uma mulher é vítima de violência doméstica. Essa sem dúvida, é uma estatística que cobre de vergonha a todos. Não importa a motivação, um crime é um crime e pronto!

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    1. Muito boa a tua contribuição para o movimento; Parabéns!

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