sexta-feira, 8 de abril de 2016

As vidas de uma casa - final








Os anos se passavam, e o Sr. Guilherme ainda gozava de muita lucidez e boa saúde. No final da década de 80, juntamente com uma dupla de pintores, repintou meticulosamente a casa, utilizando tinta a óleo, além de trocar as antigas calhas metálicas de chuva pelo modelo mais atual em plástico. 

Na década de 90 houve a chegada da segunda geração dos bisnetos: Rafael (91), Juliana (93), Jéssica (95), Betina (95), Vinícius (96) e Lucas (97). O novo século ainda trouxe o Bruno (2000), a Beatriz (2003), o Augusto (2010) e a Melissa (2014), além do trineto Josué (2010). Todos estes tiveram a oportunidade de se divertir na casa da Família Rudolph, mas infelizmente o Sr. Guilherme e D. Anna não puderam conhecer a todos.

Em 1993 o Sr. Guilherme teve diagnosticado um câncer, que aos poucos foi trazendo outras complicações, lhe tirando a mobilidade e mais ao fim, a lucidez. Foram alguns anos de dedicação das filhas para cuidar do pai adoentado, até que em 1996, aos 94 anos de idade, o Sr. Guilherme faleceu em casa, assim como tinha pedido. Praticamente 1 ano depois, em 1997, aos 88 anos de idade, D. Anna não resistiu à complicações de saúde e também faleceu em casa. Assim, o cotidiano se tornou história!

Restou o legado destes imigrantes: nenhum luxo, pouco conforto, muito trabalho duro, muita dignidade, retidão e honradez, além de uma gratidão imensa à cidade de Curitiba que os acolheu e permitiu, assim como à milhares de famílias advindas de diversos países, fazer crescer seus descendentes!

Quanto à Casa por Detrás da Moita, permanece na família enquanto possível! E se um dia perder a guerra para o concreto, terá cumprido seu papel de ser um porto seguro para os que nela nasceram, habitaram e morreram, e se tornará uma saudosa lembrança nas vidas de muitas pessoas.

13 comentários:

  1. Trabalho, dignidade, retidão e honradez, foi o grande legado que meus filhos receberam desse admirável casal de imigrantes! Não poderia desejar para eles herança maior do que essa!

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    1. Washington, já adiantando a resposta da Celia: sim. Ela é esposa do neto mais velho, o Paulo, e mãe do Conrado e Anna Luisa.
      Tenho certeza que a Celia também sabe de várias histórias, diretamente na fonte, o casal Guilherme e Anna. ;-)

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Linda história! Lindas imagens! Obrigada por compartilhar conosco.

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  3. Maravilha, Washington! Que história linda! Que ótimo que D. Anna foi reencontrada e voltou para a família depois de tantos anos! (Eu tinha ficado muito aflita quando li na parte 1 que ela ficou perdida por lá em plena guerra!!!)...

    Em algum trecho de uma dessas postagens estava escrito que essa história tinha enredo que daria um filme. É mesmo! Que história!

    Curto muito o teu blog. Tô sempre "namorando" Curitiba por aqui - pelas tuas lentes e pelas histórias que vc compartilha! Muito grata por compartilhar a história dessa família e parabéns, mais uma vez, pela belíssima iniciativa!

    Grande Abraço!
    Simone.

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    1. Obrigado Simone. Penso que essa história tem paralelos em outras cidades e com outras etnias. Nosso país foi feito assim, de histórias de pessoas que com muita luta e muito amor à família fez a vida por aqui.
      Obrigado por curtir o blog. Abraço.

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  4. Preciosa historia. Que bonito poder tener un punto en común con tanta gente como esa casa tan bonita y llena de pequeñas aventuras personales.
    Gracias por hacerla llegar.

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  5. 1962: Aquele foi o segundo Natal depois do retorno da Sra. Anna ao Brasil:
    pinheirinho natural, decorado à moda germânica...
    os olhinhos brilhantes das crianças...
    curiosidade para descobrir que presentinhos a Oma ainda tinha nas mãos...
    mesa com alguns presentes... certamente havia livros infantis com histórias coloridas... algumas maçãs (só tínhamos maçãs no Natal!)
    Agradeço muito a Deus pela família em que nasci!

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  6. Espero que a família nunca permita a demolição da casa nem a venda, mas que matenham na "viva". Fazendo a manutenção periódica e grandes reuniões familiares!
    Paz e saúde a todos!

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    1. Um tema complexo. De qualquer forma, essa casa serviu lindamente ao seu propósito. Já dizia um sábio amigo meu que não há bem que sempre dure e nem mal que nunca termine.

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