terça-feira, 5 de abril de 2016

As vidas de uma casa - parte 2





No Brasil, a família Rudolph teve que enfrentar o falecimento da matriarca Emma em 1940. 

Guilherme Rudolph se desesperou: como conseguiria criar 3 filhas pequenas e ao mesmo tempo trabalhar para garantir o sustento da família? Tentou, em vão, que suas cunhadas solteiras, irmãs de D. Anna, que permaneceram na colônia de Carambeí – PR, pudessem criar suas filhas. Diante da negativa, não restou alternativa a não ser dividir com seu pai, Carl, a criação das filhas.

Nessa época, Guilherme Rudolph já trabalhava na Móveis Ritzmann, na Av. Getúlio Vargas (hoje ocupada pela Faculdade OPET). Anos depois se tornou encarregado na serraria, esta localizada um pouco adiante do final da rua João Bettega, junto ao rio Barigui. 

Sempre foi perfeccionista e correto no que fazia, e isso era visto com muitos bons olhos por seus patrões, os irmãos Ritzmann, firmando um vínculo de amizade. Isso permitiu que Guilherme comprasse madeiras por preço de custo, para poder construir sua casa própria, num terreno na Rua Almirante Tamandaré. A primeira construção neste lote foi um pequeno paiol, que servia de dormitório para o patriarca Carl Rudolph cuidar das madeiras que eram estocadas na propriedade e que estavam se tornando a moradia dos Rudolph.

Na Páscoa de 1948 a casa estava “pronta” (houveram complementos ao longo dos anos) e Guilherme Rudolph, com seu pai e suas 3 filhas deixaram a casa alugada na Rua Bom Jesus e foram morar na Rua Almirante Tamandaré. 

Simultaneamente com a casa, foi construído um “paiol”, no qual Guilherme fazia a manutenção de sua motocicleta BMW, além de seus “bicos”, construindo diversos dispositivos mecânicos conforme necessidades de seus clientes, inclusive fabricando peças em série: fornecia para seu amigo, o Sr. Guilherme Knauer, da fábrica de selins de bicicleta Knauer, as ferragens para um selim infantil, o qual era montado no tubo superior das bicicletas masculinas, para transportar crianças. E nessa tarefa, nem as filhas ficavam de fora: entre as atividades domésticas, eram responsáveis por fazer a pintura preta destas ferragens, além de montar os componentes.

O terreno da casa era muito grande, e foi cultivado com diversas pereiras, macieiras, pessegueiros, parreiras, além de hortaliças, tudo aproveitado para o preparo de compotas, sucos e doces. Aquela primeira construção do terreno, o paiol de vigilância das madeiras, foi convertida em galinheiro. Enfim, o Sr. Guilherme sempre buscou autossuficiência em tudo o que possível, para não depender de terceiros, somente de seu trabalho e de sua família.

continua amanhã...

6 comentários:

  1. QUE HISTÓRIA LEGAL,ESTOU ANSIOSO PARA PRÓXIMA PARTE.

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  2. Boa história, bem pesquisada...

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    1. Obrigado Tom. O texto, felizmente me foi enviado pelo neto do Sr. Guilherme.

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  3. A casa fica bem melhor sem as árvores na frente! E se der uma pintada então? Ficaria show! Fica a dica....

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    1. Hoje em dia as arvores a deixam mais discreta e mais segura. Pena, mas o mundo atual tem dessas!

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