quinta-feira, 7 de abril de 2016

As vidas de uma casa - parte 4







Em Julho de 1982, aos 80 anos, o Sr. Guilherme, acompanhado de sua filha Adelaide, faz uma viagem à sua terra natal. Desde a imigração, em 1924, nunca havia voltado. Foi incrível: visitaram a cidade na qual os Rudolph moraram (a casa ainda existia), e também a escola na qual o Sr. Guilherme estudou! Inclusive com direito à conversa com o diretor, que disse: “- Este momento merece um brinde com um bom vinho!”. 

Enquanto isso, em Curitiba, eram férias escolares e o neto Ingo faz companhia à sua avó, D. Anna. A rotina consistia em acender e manter o fogão à lenha (construído pelo próprio Sr. Guilherme, utilizando chapas de aço rebitadas, devidamente revestidas com tijolos refratários), além de acompanhar o processo de defumação de toucinho num forno improvisado com tijolos junto ao muro no quintal; dar comida aos cachorros, e milho às galinhas. Lembrando que esse ambiente todo fica praticamente no centro de Curitiba! 

Durante a década de 80, houve a chegada da primeira geração dos bisnetos: Conrado (81), Camila (83), Caroline (85), Natália (85), Anna Luisa (85) e Celina (87). Sempre que possível, a criançada se divertia correndo pelo imenso quintal, se escondendo nos diversos recantos do imóvel, além de alegrar o Sr. Guilherme e D. Anna. 

Nos aniversários, nas Páscoas, nos Natais, nos almoços de 1° de Janeiro, a família sempre buscava se reunir na casa dos Rudolph. Aos homens era permitido degustar cerveja Antarctica, já as mulheres preferiam a Malzbier. As garrafas eram armazenadas no porão do paiol, o que segundo o Sr. Guilherme era o suficiente para refrescar as bebidas. Quando o tempo permitia, e a quantidade de convidados exigia, os almoços e cafés da tarde eram servidos no pátio externo!

O neto mais novo, Ingo, sempre era requisitado nas férias para auxiliar no corte de grama, no debulhar do feijão cujas vagens (bainhas) eram secas na calçada de paralelepípedos, no corte de lenha, etc. Esses momentos preciosos eram perfeitos para absorver as histórias de vida da família Rudolph, além de aprender diversos macetes: como direcionar um cortador de grama, como abrir uma bainha de feijão sem desperdiçar os grãos, como manusear uma serra traçadeira (aquela de lâmina longa com uma pessoa puxando em cada ponta), como pregar corretamente sem entortar o prego, enfim, ensinamentos que um alemão metódico poderia passar ao neto.

Continua amanhã...

2 comentários:

  1. Que delícia de história, Ingo! Grata por compartilhar a historia de sua família.

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