terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A Villa Sophia















Em 1896 o casal Sophia e Guilherme Lindroth, ele sueco e ela filha do suíço Gotilieb Mueller, inaugura o palacete em estilo eclético na hoje esquina das ruas Mateus Leme e Barão de Antonina, com três pavimentos e 750 metros quadrados de área. A casa recebe o nome de Villa Sophia em homenagem à esposa de Guilherme Lindroth.

O casal viveu na casa por mais de 40 anos com seus filhos. A casa contava com diversos espaços de convivência, como uma sala de música com um piano e gramofone. Vários membros da família tocavam algum tipo de instrumento.

O jardim era tomado por plantas e muitas flores, especialmente rosas. Como não haviam floriculturas na época, era muito comum as famílias plantarem as suas próprias flores, criando uma espécie de competição para ter as flores mais bonitas da vizinhança.

Depois de décadas de uso pela família Lindroth, a Villa Sophia foi vendida para a Mitra Diocesana de Curitiba, servindo de morada para seminaristas, dentre eles Dom Pedro Fedalto entre 1954 e 1957, que seria mais tarde nomeado arcebispo de Curitiba. Nessa época a Villa Sophia foi conhecida como a casa do bispo e ainda hoje no topo da fachada principal, encontramos as armas do arcebispo Dom Ático Euzébio da Rocha.

Nos anos 70 o palacete abrigou também o pensionado das Irmãs Passionistas, como bem lembrou uma leitora desse blog.

Mais tarde, com a mudança da Mitra para outro local, o uso comercial da Villa Sophia e a poquíssima manutenção, impôs uma degradação severa ao conjunto, culminando com invasões e pichação de toda a casa. Parecia que o destino da casa seria a demolição.

Num vídeo produzido pelos atuais ocupantes da casa (a VG&P Advogados), a arquiteta Ivilyn Weigert que trabalhou no restauro da casa e a considera uma obra de arte, explica que o projeto de restauro da Vila Sophia iniciou em 2010, com um levantamento minucioso das partes que compunham o edifício, as estruturas, as técnicas construtivas, no caso uma edificação de alvenaria alto portante, sem vigas e pilares, o que exigiria um cuidado acima do normal para abrir qualquer vão para portas e janelas. Este local guarda a historia e o desvelamento de obras de arte que estava por debaixo das camadas das pinturas.

No mesmo vídeo Tatiana Zanelatto Domingues, restauradora, comenta sobre o ineditismo do deslocamento de uma parede erguida na década de 30 que contém uma pintura da Nossa Senhora Imaculada Conceição, baseada na obra do pintor espanhol Bartolomé Esteban Murillo, que originalmente fechava a sacada do terceiro andar do palacete, transformando o cômodo em capela bispal. O deslocamento da parede foi necessário para atender à duas exigências do Ippuc: a preservação da pintura e a liberação da sacada.

Um trabalho minucioso de restauro trouxe de volta à vida a santa e um estudo foi feito, definindo pela divisão da parede em 9 partes, deslocadas para o local onde hoje no primeiro piso a santa encontra-se em exposição.

Todo o trabalho brilhante de restauro foi acompanhado de perto pelo Ippuc, que fez uma série de exigências quanto a preservação de elementos originais da casa, tais como o piso, escadarias, portas e janelas.

Um ano e meio de obra e cerca de R$ 2 milhões foi investido no restauro pelo escritório de advocacia Vernalha Guimarães & Pereira em parceria com o proprietário do Palacete Villa Sophia para a revitalização do espaço, que faz parte do patrimônio histórico de Curitiba, considerada uma Unidade de Interesse de Preservação.

Tive o privilégio de poder fotografar a Villa Sophia e além da beleza externa do prédio, lá dentro encontrei as pinturas originais da casa reveladas, as escadarias preservadas, um lustre do qual existem apenas dois exemplares em Curitiba (o outro está na Mitra), isso tudo harmonizado com a decoração moderna do escritório de advocacia e com dezenas de obras de arte espalhadas por todas as salas.

Sem dúvida alguma a iniciativa de restauro e ocupação dessa casa é o caminho mais inteligente para preservação da memória e do patrimônio histórico de Curitiba.

Fonte: Video produzido pela VG&P Advogados, exibido durante nossa visita. Esse video está disponível na internet.

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