quarta-feira, 20 de junho de 2018

O "Balança mas não cai" num belo dia de sol


A implantação desse prédio foi um dos pivôs do enfraquecimento do Plano Agache, que previa o desenvolvimento urbanístico da cidade. Segundo relatos do arquiteto Lolô Cornelsen, a não construção desse edifício possibilitaria o alargamento da rua em generosos oitenta metros, tal medida em confluência com a Rua Carlos de Carvalho abriria palco para uma Times Square curitibana, uma saída pensada para o escoamento do tráfego de veículos num futuro não muito distante.

O prédio foi inaugurado no ano de 1944, época em que ainda predominavam as edificações de baixo gabarito. A construção foi um dos primeiros edifícios a se consolidar na área central, antes mesmo da Biblioteca Estadual, que só viria a se instalar na região dez anos depois.

Na esquina das ruas Cândido Lopes e Ébano Pereira, o edifício se põe em área movimentada em meio a um fluxo contínuo de carros, motos e ônibus que contornam o centro. Dessa forma, a rua se abre para os veículos e se estreita para os pedestres, tornando o lugar relativamente propício à acidentes. Algumas medidas como instalação de radares, regulamentação da velocidade e faixas de sinalização tentam humanizar o entorno.

O edifício foi uma obra da Construtora Gutierrez, Paula & Munhoz. É considerado de uma arquitetura ímpar, com volumetria em formato de cunha, amplas esquadrias, nove pavimentos estruturados em concreto armado servindo tipologias de uso misto, com acessos distintos para a parte residencial e comercial.

O ponto alto do prédio está presente na estética da fachada, um conjunto de esquadrias de ferro levemente inclinadas, emolduradas por ressaltos volumétricos azulados, as quais transmitem a sensação de estarem prestes a cair, motivo pelo qual recebeu o apelido peculiar de “balança, mas não cai”.

Texto do arquiteto Guilherme de Macedo para o livro "Prédios de Curitiba".

2 comentários:

  1. Olá Washington! Seus artigos, como sempre, são muito bem escritos e dão merecido destaque a elementos importantes da arquitetura curitibana, como o Edifício Brasilino Moura. Essa semana estive na área comercial desse edifício e a qualidade construtiva dele chamou minha atenção. Nos próximos posts sobre construções antigas, como esta, seria possível obter informações sobre os detalhes construtivos (metodologia da construção das lajes, preocupações com acústica, por exemplo)? Acho que seria interessante para compará-los com as construções atuais.

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    1. Olá Ricardo. Muito obrigado pelo seu comentário. Quanto a detalhes construtivos de futuras postagens sobre os prédios de Curitiba, se os encontrar, publicarei.

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