terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Reinauguração do Palácio Iguaçu



Antes de deixar o governo do estado, o ex-governador Orlando Pessuti fez questão de reinaugurar o Palácio Iguaçu, fechado para reforma desde 2007, quando o governador passou a utilizar o Palácio das Araucárias como sede do Poder Executivo do Estado. Mais de três anos e 23 milhões de reais depois, o prédio foi reinaugurado com uma festa no dia 19 de dezembro, exatamente o dia da emancipação política do Paraná.

A Gazeta Maringá publicou uma excelente reportagem no dia 18/12/2010 contando a história do Palácio Iguaçú e o ambiente politico da época. Assina a reportagem Sandro Moser, cujo texto reproduzo abaixo:

O palácio que inspirou Brasília
Inaugurada em 1954, a sede do governo paranaense foi construída para superar complexo de inferioridade do Paraná diante de outros estados.
Após passar por sua primeira grande reforma desde a construção, o Palácio Iguaçu, sede oficial do governo do Paraná, será reinaugurado hoje à noite pelo governador Orlando Pessuti. Inaugurado em 19 de dezembro de 1954, o edifício foi idealizado pelo então governador Bento Munhoz da Rocha Netto e é considerado um símbolo da integração e da modernização cultural do Paraná.
O palácio foi construído na mesma época em que o Centro Cívico foi criado. Um projeto que reuniu em uma mesma área edificações de todos os poderes – Legislativo, Executivo e Judiciário – e que teria encantado e inspirado o futuro presidente da República Juscelino Kubitschek a construir Brasília.
Para o professor de História do Brasil da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Antunes Filho, a construção do palácio e a idealização do Centro Cívico representam um momento de “euforia modernizante” que o estado experimentou em meados do século passado. “Houve uma ascensão de uma nova classe política, de uma nova geração de historiadores que superou uma visão mais restrita de nossa história, aliada à ascensão econômica e industrial no pós-guerra”, analisa o professor.
Além da significação política, o projeto do arquiteto carioca David Azambuja é considerado um dos grandes marcos da escola modernista em todo o Brasil. O arquiteto e historiador Irã Dudeque, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), afirma que essas construções foram erguidas para celebrar o centenário da emancipação política do estado e também procuravam mostrar ao Brasil que o estado estava se reinventando. “A arquitetura modernista delas é reveladora nesse sentido”, avalia.
Já o historiador Jair Elias dos Santos Júnior, autor de livro que conta a história das cinco décadas do edifício, conta que a intenção de Bento Munhoz era demonstrar que o Paraná era um estado uno, que tinha uma única capital. “O prédio simboliza a integração do estado e procura sedimentar Curitiba como a capital e unir a população em seu entorno”. Tal centralização em Curitiba, explica Santos, procurava reduzir a influência de grandes centros como São Paulo e Rio Grande do Sul sobre as regiões culturais do Norte e do Oeste do Paraná, respectivamente.

Anseio de grandeza
Santos conta que em suas pesquisas descobriu que o impulso que moveu o então governador à construção do Palácio Iguaçu nasceu da vontade de superar definitivamente um proverbial complexo de inferioridade paranaense. “A antiga sede do governo [o Palácio São Francisco, atual Museu Para­naense] era muito acanhada e o governador, que conhecia a maioria dos palácios de governo dos estados mais desenvolvidos, quis construir uma sede que fosse compatível com o nível de desenvolvimento que ele projetava para o estado”, conta o historiador.
Dudeque também destaca que a construção foi resultado de uma competição amistosa entre o governador paranaense e o então governador de Minas Gerais, Kubitschek. Segundo o historiador, Bento e JK eram sempre cogitados como alternativas “modernas” à Presidência da República, depois de mais de 20 anos sob a influência política de Getúlio Vargas.
Bento saiu na frente no empreendedorismo arquitetônico, mas foi o mineiro quem conquistou a cadeira no Palácio do Catete, antiga sede do governo federal no Rio de Janeiro. “É inegável que a construção do Centro Cívico influenciou a construção de Brasília al­­guns anos depois”, afirma Dude­que. A inauguração do Palácio Iguaçu foi marcada pela visita do então presidente João Café Filho.

Origem do nome
Não existe nos arquivos do Palácio Iguaçu nenhum ato administrativo que tenha definido o nome “Iguaçu” para o novo palácio do governo. O nome simplesmente “pegou”, de acordo com Santos. Ele acredita que o governador quis homenagear o rio-símbolo do Paraná, que “possui suas nascentes junto à capital e sua foz tem as mais famosas cataratas do mundo”.

Vidros verdes geram polêmica sobre restauro
Para um leigo em arquitetura, a diferença entre colocar um vidro verde ou um transparente nas janelas de um imóvel pode ser irrelevante. Mas essa decisão conflagrou uma pequena guerra entre arquitetos e entidades da área do patrimônio cultural contra a atual reforma do Palácio Iguaçu.
A nova fachada respeitaria o projeto original de David Azam­buja, segundo o secretário estadual de Obras, Júlio Araújo. Ele diz que o arquiteto previa vidros verdes, não comprados na época por serem muito caros. O prédio recebeu então vidros transparentes. Agora, a opção foi por vidros translúcidos esverdeados.
A arquiteta especialista em restauro de obras modernistas, Giceli Portela de Oliveira, discorda. “A restauração tem que respeitar o prédio, não o projeto do prédio”, afirma. Giceli lamenta que não tenham feito concurso público para a restauração. “Alterações em construções históricas precisam ser bem fundamentadas”, diz.
A polêmica em torno da reforma recria, por outros motivos, o ambiente hostil que o governo de 1953 enfrentou. A construção do palácio recebeu duras críticas da imprensa, principalmente da ligada ao grupo político do ex-governador Moysés Lupion. “Parte da população considerava o gasto promovido pelo governo um absurdo diante da grande crise econômica enfrentada pelos paranaenses”, afirma o historiador Jair Elias dos Santos Júnior.

4 comentários:

  1. Estou longe de Curitiba , é bom acompanhar seu blog para matar a saudade. Ficou bonito o Palácio. E a Riachuelo já está terminada ? Já deu inicio as obras do cinemas ali? Abraços.

    ResponderExcluir
  2. Oi Marco.
    A Rua em sí está terminada com novas calçadas e iluminação. Ficou imensamente melhor do que era (pretendo fazer algumas fotos mostrando como ficou). Os prédios, com a ajuda da Coral Tintas, em grande parte foram "melhorados". O centro cultural que será feito no antigo quartel (esquina com Carlos Cavalcanti) ainda não iniciaram as obras.
    Abraço.

    ResponderExcluir
  3. ::

    Muito oBrigado, estou no Rio e sinto saudades de Curitiba .
    Curitiba é uma cidade muito especial.
    Quando puder posta a Praça Espanha do meu coração.
    Seu blog faz parte de minha rotina online.
    Parabéns.

    ResponderExcluir
  4. Oi Marco. Legal saber que vc curte o blog. Quanto a Praça Espanha, que é um local que gosto muito, pois por anos passei por ali a caminho do Positivo, tenho alguns posts que mostram a praça (pelo menos parcialmente). No lado direito do blog, procure pelo marcador "Praça Espanha" e veja se tem algo que lhe agrade.
    Não sei a quanto tempo você está longe de Curitiba, mas a Praça Espanha virou o centro do Batel Soho. Todo sábado rola uma espécie de festival ao redor da Praça com feiras, shows e muita gastronomia. É muito legal!
    Abraço.

    ResponderExcluir

O que achou desse post? Seu comentário é muito bem-vindo.