quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Trilhos, trens e vagões.









Fiz essas fotos da região da rodoferroviária a partir do viaduto do Capanema. Antigos vagões no pátio e litorinas podem ser vistas estacionadas ao lado da estação e em outra foto, os trilhos. As fotos mostram uma ínfima parte do que compõe a paisagem ferroviária de Curitiba, que foi parte importante da história e desenvolvimento da capital, mas que com o tempo, passou a ser vista como um entrave para o progresso numa época e hoje, como um entrave para um melhor fluxo de carros na cidade.
Ouvi ou li em algum lugar que o IPHAN por um decreto federal tornou-se responsável nacionalmente por mapear e gerir os imóveis e bens da RFFSA. Procurei na internet sobre o assunto e achei uma interessantíssima matéria na Gazeta do Povo intitulada “Estrada de ferro e de esquecimento”. O IPHAN está otimista com esse modelo e acredita que levará à preservação de muitos dos bens da antiga Rede Ferroviária.
Quanto aos trilhos, parece que é uma questão de tempo para que o ramal que leva à Rio Branco do Sul passando por vários bairros de Curitiba seja retirado. O que fazer com esse novo espaço que futuramente será criado é o que deve ser muito bem pensado, planejado e executado.
Nesse mesmo artigo e em outro da Revista Panorama, descobri que um grupo de quatro pesquisadores (duas antropólogas, um historiador e um fotografo) percorreram ao longo de 2010, todas as linhas de trem que cortam Curitiba com o intuito de mapear as linhas o seu entorno. Constataram que não foram as políticas de ocupação que definiram o desenho de Curitiba, mas essas linhas de trem. O trabalho aprofundado desses pesquisadores servirá de base para qualquer política de preservação da paisagem ferroviária de Curitiba que venha a ser discutida no futuro. Acesse o site criado por eles, onde um vídeo e o livro pode ser acessado livremente: http://www.pelostrilhos.net/.
Se Curitiba e seus moradores têm uma relação mal resolvida com a nossa paisagem ferroviária, talvez esse trabalho ajude a entendermos melhor essa história que é importante e determinante para nossa cidade.
Coincidência ou não, nesses últimos dias passei pela linha de trem que cruza a Erasto Gaertner e olhando para a direita, a paisagem me pareceu atrativa para algumas fotos. Pensei então em caminhar junto aos trilhos para isso. Vou explorar o trabalho desse pessoal e quem sabe depois, planeje fazer esse passeio pelos trilhos de Curitiba.

5 comentários:

  1. O grande problema não é trem em si. A 'bronca" é com a ALL, que fazia questão de vir com seus (apenas) 4 ou 5 trens diários, durante a madrugada, apitando a cada 100m , nos cruzamentos. Hoje, a a ALL optou em largar seus cargueiros nos horários de rush. Sem contar o total desrespeito com a via permanente, sempre com capim alto, locomotivas imundas. Sob alegação que não é sua obrigação, permitiu a total depredação de estações ao longo da linha, na Serra do Mar. Mesmo não sendo obrigação, poderia ter preservado alguma coisa, pois seu lucro é fabulos. Aliás, para quem não sabe, é o único trecho (Paraná-Sta Catarina)que sempre deu lucro, mesmo quando da União(RFFSA).

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    1. Concordo com tudo que disse Gilberto. Os incômodos causados são inquestionáveis e o abandono do patrimonio ao longo da ferrovia é uma vergonha.

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  2. será que a empresa não venderia estes vagões abandonados ?

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    1. Teria que falar com a ALL (acho eu), mas alguns me parecem históricos, apesar de estarem ao ar livre e sujeitos à degradação.

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