quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Eleuther - o homem que vestiu as primeiras damas - parte 2









O Sr. Eleuther se auto-intitula modelista, já que o título de estilista ele reserva para as pessoas que criam moda (como a Maison Chanel). Diz ser capaz de observar qualquer modelo de roupa, seja uma foto ou um desenho e tornar realidade aquele modelo em qualquer pessoa. 
Na área de produção do atelier, ele me mostrou um pouco da sua técnica. Através de uma série de medidas e utilizando-se de uma planilha, faz um mapa da cliente em papel e dali, pode executar qualquer modelo de roupa. Definido o modelo, transfere as medidas para os moldes, dali para um tecido de apoio e promove os cortes. Suas exímias costureiras (algumas trabalham com ele há mais de 20 anos) montam o vestido de prova, que uma vez confirmada todas as medidas e feitos todos os ajustes, o corte no tecido definitivo é executado e o vestido a ser entregue é feito. 
Todos os bordados são feitos à mão, tendo os desenhos feitos pelo próprio Eleuther. Um modelo jamais é repetido e a execução é tão primorosa, que ele guarda ainda vestidos de 30 anos atrás, enviados pelas suas clientes por já não servirem mais e por dó que essas têm de desfazer-se deles. Com esses vestidos fez uma exposição para comemorar os seus 50 anos de uma carreira de muito sucesso, já deu aulas como convidado de uma escola de design de moda (para uma plateia ao final de 5 aulas, atônita) e ainda hoje atende suas clientes na sobreloja do edifício onde mora no centro de Curitiba. 
Seu atelier, decorado de forma requintada com quadros, móveis históricos, objetos raros e tapetes persas, oferece às suas clientes uma ambientação que certamente não se encontra em outro local de Curitiba. 
Já foi considerado pela Revista Vogue nos anos setenta um dos cinco melhores estilistas do Brasil e na década de oitenta pela Revista Claudia um dos melhores estilistas do sul do Brasil. 
Foi uma grande honra poder conhecer esse operário da moda, considerado inatingível por muitas pessoas (ele ri disso), ainda hoje apaixonado pelo seu ofício, o qual desempenha há quase 70 anos. Gentil, detentor de uma cultura invejável e memória prodigiosa, é guardião de boa parte da história da sua família, que confunde-se com a história de Curitiba, do Paraná e do Brasil. Goza de boa saúde, desloca-se por conta própria apoiado por um andador, tem uma voz ainda forte e segura, um pouco debilitada segundo ele, pelos muitos cigarros que ainda fuma vorazmente. 
Eu gostaria por fim de recomendar aos historiadores e jornalistas que pesquisem, entrevistem e registrem em livros e revistas, a história da vida desse gentil senhor e de sua família, que entrelaça-se com a história da nossa cidade e do nosso país.
Continua amanhã com um pouco da história de sua família.

2 comentários:

  1. Apaixonei por esta série! Parabéns pelos trabalhos de fotografia, pesquisa e redação!

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    1. Obrigado Raffaela! E pelo pouco contato que mantive com o Sr. Eleuther, o que escrevi aqui é apenas uma pequena parcela de todas as histórias que ele tem para contar. Seria um grande serviço ã nossa história se alguém se profundasse para escrever uma biografia desse grande paranaense e de sua família..

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