segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Um significador de insignificâncias







“Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la.”
Helena Kolody

Sai nessa última manhã gelada de domingo em Curitiba, com o firme propósito de fotografar uma parte da Avenida Anita Garibaldi não coberta por mim no final de semana anterior. Parcialmente frustrada a minha intenção, quer pela inesperada mudança de mão ou pelo desaparecimento de casas que eu esperava encontrar, fui seguindo pela rápida e decidi então, ir à feirinha procurar por uma caixa. Circulei pela feirinha, fotografando uma coisa aqui, um bicho ali e uma pessoa acolá. Lá pelas tantas, vi a loja Gepetto e pensei que talvez ali encontrasse a minha caixa. Não sei bem o motivo, mas acabei parando na barraca exatamente de frente para a loja e rapidamente estava envolvido pela arte, histórias e pela impagável figura na barraca: Helio Leites. Numa avalanche de poesia, trocadilhos, citações e performance apoiada pelas suas incríveis miniaturas, o Hélio vai mostrando a sua arte, seu bom humor e sua disposição para interagir com as pessoas. Lá você encontrará dentre outras maravilhas, a peça na qual ele canoniza Helena Kolody e outra na qual ele dá um final feliz para Romeu e Julieta.
Perguntei se eu poderia fotografá-lo e concordando, foi vestindo a sua arte enquanto isso. Usou seu óculos para dia de macarronada (mostrando que a vida não é sopa), os óculos para hipnotizador (diz ele que sem o bracinho, não consegue enxergar nem um palmo diante do nariz), os óculos da bala perdida e alguns dos bonés que fazem parte da série “Teatro de Boné”.
O Hélio já foi especialista em Botânica (que não deve se confundida com botânica), que é a arte dedicada aos botões, fundando inclusive a Assintão (Associação Internacional dos Colecionadores de Botão), da qual até Paulo Leminski foi associado. Mas sempre foi e continua sendo um coletor de objetos aparentemente insignificantes, como caixas de fósforos usados, palitos e o que mais for necessário, que depois de transformados, ou melhor, transtornados, servem de base para sua arte em miniatura.
Leminski num artigo de jornal o classificou como um “Significador de Insignificâncias”, muito bom para um mundo onde a maioria tem a capacidade de Insignificar significâncias!

5 comentários:

  1. Figuraça! Vale a visita à feirinha só para ouvir as histórias deles!

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  2. Ele é meu chapa! tenho várias obrinhas dele. No ArteAmiga coloquei um vídeo que fizeram com ele: http://arteamiga.wordpress.com/2011/04/04/pela-ordem-mais-caixas-de-madeira/
    Que bom que conheceu o Emerson!
    E, me diga, achou a caixa que estava procurando?

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  3. Pior que achei que tinha achado! Assumi que precisava de uma medida e ao chegar em casa com a caixa (muito bonita por sinal), vi que o tamanho era insuficiente! O Emerson muito gentilmente fará uma nas medidas que passei! Gente muito boa ele.

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