quinta-feira, 12 de abril de 2012

Colégio Estadual Tiradentes


Desde que fiz a série de posts sobre a Arquitetura Modernista em Curitiba, passei a me interessar por tudo que diz respeito a essa importante fase da nossa arquitetura. Quando fiz o post sobre Rubens Meister (autor dos projetos de marcos da Curitiba como o Teatro Guaira e o Centro Politécnico da UFPR), soube que foi dele também, o projeto do Colégio Estadual Tiradentes na Rua Presidente Faria, faceando a Praça 19 de Dezembro e o Passeio Público.

Mesmo sabendo disso, nunca fiz o post por nunca ter tido a oportunidade de fazer uma foto minimamente decente do prédio, já que um enorme muro impede quase que totalmente a visão do colégio ao nível do solo. Felizmente, na minha última caminhada observacional, passamos em frente ao colégio e feliz coincidência, o portão estava aberto, revelando a sua fachada. Me postei na abertura providencialmente disponível para mim e fiz a foto (como disse, o muro impede fotos melhores). Por isso, o post de hoje.

Procurando na internet algumas informações sobre esse colégio, tive a grata surpresa ao encontrar muito mais do que isso. Trata-se de uma dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre em História e Historiografia da Educação, na Universidade Federal do Paraná, de autoria de ANA PAULA PUPO CORREIA em 2004, sob o título “HISTÓRIA & ARQUITETURA ESCOLAR: OS PRÉDIOS ESCOLARES PÚBLICOS DE CURITIBA (1943-1953)”.

Dentre todas as valiosíssimas informações que ela apresenta nessa dissertação, pude obter do Grupo Escolar Tiradentes o seguinte.

A antiga Escola Tiradentes, fundada em 1892, não funcionava no endereço atual, mas na então rua do Serrito (atual Carlos Cavalcanti) e foi inaugurada em 08/02/1895 em comemoração ao centenário da Inconfidência Mineira. Sua primeira diretora foi a Prof. Julia Wanderlei (sendo ela a primeira mulher a ocupar esse cargo no Paraná).

Em 1934, o edifício daquela escola foi demolido e o estabelecimento passou a funcionar, em caráter provisório, em velhas e inadequadas residências durante um largo período de tempo.

Como parte do programa para comemorar o centenário da emancipação política do Paraná, em 1952 via decreto, o ex-governador Bento Munhoz da Rocha Netto solicita a transferência do colégio para seu atual endereço. O terreno foi escolhido pela sua localização (Praça 19 de Dezembro, Passeio Público e Centro Cívico) para que pudesse se destacar e ser visto por todos. Mas o desenvolvimento da região com pontos de ônibus, várias edificações e seus muros, fez com que o prédio ficasse confinado e se escondesse com o passar do tempo.

O projeto foi confiado a Rubens Meister, esse porém foi adaptado de outro projeto indentificado nas plantas originais como sendo do Instituto de História Natural. Mesmo não ficando pronto a tempo das comemorações, sua maquete e suas perspectivas foram amplamente divulgadas.

Fiel aos preceitos da arquitetura modernista, o edifício é caracterizado por formas geométricas e pela inexistência de ornamentos. Mas por ter sido um projeto adaptado, sua distribuição interna é considerada confusa e para complicar ainda mais, o muro atual prejudica muito (além das fotos) a iluminação e ventilação das salas de aula do andar térreo.

A obra teve uma série de problemas de execução e estruturais (possivelmente pela pressa para que a obra ficasse pronta para as festividades), fazendo com que a mesma fosse embargada por um grupo de engenheiros contratados para uma perícia. Em 30 de novembro de 1955, a Gazeta do Povo questionava: ”Quais os responsáveis pela construção defeituosa do Grupo Tiradentes?”. Apesar da repercussão na mídia, a obra foi abandonada e somente no governo de Ney Braga foi retomada para finalmente o Grupo Escolar Tiradentes ser reinaugurado em 6 de outubro de 1962.

Fonte: http://www.ppge.ufpr.br/teses/M04_correia.pdf

4 comentários:

  1. Interessante esse colégio, nunca o havia visto devido ao muro. Quase estudei aí nos anos 80, mas acabei indo para um colégio particular.

    Outro colégio público que é muito bonito é o Lysímaco Ferreira da Costa. Fica ali na Av. Iguaçu, quase esquina com a Rua Castro Alves, em frente ao Bar Zepellin. Daria um bonito post.

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  2. Oi Mayra. O Lysimaco esta na minha lista para um futuro post. Obrigado.

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  3. Estudei neste colégio nos anos de 1964 e 1965. Com as professoras Tereza e Aglair.

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    1. Oi Geraldo. Imagino o quanto Curitiba era diferente nessa época!

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